Cidades
MACEIÓ REGISTRA AUMENTO DO VOLUME DE LIXO
Segundo a Slum, volume de lixo coletado em abril teve aumento de 20% em Maceió
Com um aumento recorde no volume diário de lixo domiciliar coletado, a Superintendência Municipal de Desenvolvimento Sustentável (Slum) vem fazendo ajustes nas contas para poder arcar com o aumento na despesa de coleta, que já chega na casa de um milhão. Por outro lado, alguns municípios do interior lidam com o mesmo volume de lixo e, do lado dos grandes geradores, uma queda vertiginosa é registrada.
Segundo Gustavo Torres, gestor da Slum, o mês de abril registrou um aumento de 20% no volume de lixo coletado na capital alagoana – e maio reserva um número parecido. “Nunca tivemos aumentos tão grandes e sucessivos assim antes”, conta. Com as pessoas em casa, lixo que antes era gerado fora passa a ser motivo de preocupação da prefeitura.
O valor, que antes era de 1000 toneladas diárias, passou a ser 1200 e ameaça a atingir, em média, 1444 em maio.
“Lixo de bares, restaurantes, os grandes geradores, são de responsabilidade do proprietário. Gente que comia fora agora come em casa e gera o lixo dentro de casa. Fora os deliveries e pague e leve, que também são descartados em casa”, explica. Compras online por encomenda, que tendem a vir com diversas embalagens, também contribuem para o aumento.
A orientação é descartar com consciência. “50% do lixo que recebemos de domicílios é orgânico. Pode ser usado, por exemplo, para compostagem de plantas”, diz Torres. A preocupação com o aumento do volume é tanto financeira quanto estrutural.
“Temos uma preocupação com a diminuição da vida útil do Aterro Sanitário. Esperávamos ver uma diminuição, nesse período, dos pontos crônicos de lixo [locais onde a população descarta lixo irregularmente com frequência, normalmente terrenos baldios], mas isso não ocorreu”, conta. O crescimento de gastos também tem levado à cortes de outras áreas de atuação da Slum.
O aumento com coleta de lixo, de 10% em uma conta que já era próxima dos R$ 10 milhões, leva a uma cifra milionária de aumento inesperado de gastos. “Nós cortamos outros serviços para manter a fatura, como capinação, pintura de meio fio e outros”, explica Torres.
Ainda não se fala em colapso do sistema de controle de resíduos sólidos da capital, mas a questão financeira preocupa especialmente o gestor. “Tivemos, nesse período, um desconto significativo do IPTU [Imposto Predial e Territorial Urbano], que financia essa coleta”, diz. “Tratamos junto ao Fórum da categoria [o Fórum de Gestores de Limpeza Urbana e Manejo de Resíduos Sólidos] e o auxílio aos municípios que está sendo votado no Congresso vai ser de grande ajuda”.
Segundo Torres, a prefeitura conversa também com as empresas do setor para buscar um desconto nos valores de coleta e distribuição dos resíduos.
Interior e produtores privados
Enquanto a situação se aperta na capital, diversos municípios do interior do estado mantêm a mesma proporção de resíduos sólidos nos domicílios. É o diagnóstico de Marnes Gomes, gerente operacional da Alagoas Ambiental, que possui duas Centrais de Tratamento de Resíduos que recebem o lixo de diversos municípios da região, uma em Craíbas e outra em Pilar.
“Não houve nenhuma flutuação significativa desde o estabelecimento das medidas de isolamento social, continuamos recebendo um volume comum ao período”, disse o gerente. Questionado sobre o volume produzido pelos grandes geradores, que tanto na capital quanto no interior contam com serviços privados de coleta, separados da gestão municipal, Marnes trouxe uma situação diferente.
A queda, segundo ele, foi de cerca de 30%. “É um valor enorme. Com os estabelecimentos fechados ou funcionando parcialmente, era o esperado”, conta. O lixo de restaurantes, por exemplo, que costumava ser direcionado para o aterro por meio de acordos privados, agora é boa parte descartado na casa do cliente, onde o consumo de fato ocorre.