Cidades
Candidato quer OAB pr�xima dos novos advogados
FÁTIMA ALMEIDA Tornar a Ordem dos Advogados mais acessível aos profissionais em inicio de carreira, estimular a regularização dos inadimplentes, reduzindo a anuidade, oferecer oportunidades de qualificação por meio de cursos trimestrais, simpósios e congressos e fortalecer as seccionais do interior são idéias e propostas defendidas pelo advogado Cordeiro Lima, candidato da chapa de oposição ?Independência e Ética?, que concorre à diretoria da OAB-AL. Em sua carta-programa, Cordeiro promete reduzir em 50% a anuidade para os novos advogados, nos primeiros três anos e para os que tenham mais de 30 anos de inscrição; democratizar os serviços advocatícios dos bancos oficiais e empresas públicas; plano de saúde nacional pela OAB/Saúde, mais assistência médica e odontológica pela Caixa de Assistência; previdência complementar para o advogado; interiorização da renda das anuidades para as seccionais do interior e implantação de cooperativa de crédito para montagem ou modernização de escritório, com financiamento da Caixa Econômica. O senhor considera alta, para os novos advogados, a anuidade cobrada pela OAB? Não só para os novos como também para os que já têm uma certa vivência. Nós pretendemos reduzir a anuidade, que hoje é de R$ 300, uma das mais caras do país, para R$ 200. Sobre esse valor vamos aplicar 50% de desconto para os advogados que estão iniciando na profissão; que não estão estabilizados e ainda não têm clientes. O senhor acha que o valor da anuidade mantém o advogado distante da Ordem ou estimula a inadimplência? Com certeza. O presidente atual já disse que existem cerca de quatro mil advogados em situação de inadimplência com a Ordem. Acho que a redução da anuidade vai estimular a regularização. O senhor acha que o caminho da Ordem está errado? Qual seria então o caminho a ser tomado? O das ações concretas. Hoje, a OAB vive na mídia, mas precisa ter mais ações concretas. Primeiro, tem que transformar o sócio em cidadão, ajudando na sobrevivência do advogado. É papel da Ordem ajudar na sobrevivência? Não estou falando em dar dinheiro para o advogado, mas dar condições de se capacitar e qualificar; o advogado que não tem dinheiro para comprar um livro, um computador, tem que ser ajudado de alguma maneira. A OAB tem obrigação de qualificá-lo gratuitamente, por meio da Escola Superior de Advocacia, até porque todo advogado é bi-tributado. Ele paga a anuidade e mais 10% sobre cada processo. Então tem que ter serviço. O senhor fala em baixar o valor das anuidades e oferecer mais serviços, inclusive assistência médica, plano de saúde e previdência privada. Já tem a fórmula para isso? A OAB tem um orçamento de R$ 2 milhões, só de anuidades, se todos pagarem corretamente... Que não serão mais R$ 2 milhões se for reduzida a anuidade ou considerada a inadimplência... Mesmo baixando a anuidade, vai haver uma revoada de advogados querendo quitar seu débito. Vai sobrar dinheiro para qualificação, com cursos em Maceió e para os advogados do interior, que estão alijados de qualquer processo. O plano de saúde, assistência e previdência, tudo isso já existia. Mas a OAB Saúde está falida, com médicos e hospitais se recusando a atender. Nós pretendemos dinamizar os serviços, oferecer clínica odontológica e transformar o nosso plano de saúde em um dos mais respeitados do Estado, e atrelá-lo ao nacional, para que o advogado tenha cobertura onde chegar. De uma maneira geral, o que o senhor acha que precisa mudar na OAB? A prática política. E isso só será possível com mudança. A OAB fugiu muito de seus reais objetivos nos últimos anos. Transformou-se numa espécie de balcão de negócios, fazendo secretário de Estado, juiz eleitoral, desembargador e procurador de Estado. Precisa haver uma mudança, e dos três candidatos eu sou o único que tem independência, porque nunca exerci cargos em nenhum dos poderes e nem na OAB. O senhor tem alguma coisa mais a acrescentar de sua proposta? Vamos transformar o Clube do Advogado em um ponto de encontro cultural e de lazer, com apresentações freqüentes de artistas da terra, torneios esportivos e bailes mensais gratuitos, porque hoje o Clube está alugado, sem anuência da categoria e sem fim específico do lucro obtido, o que vem a ser apropriação indébita da atual diretoria.