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Cidades

ISOLAMENTO SOCIAL DÁ NOVO SENTIDO AO DIA DAS MÃES

Gazeta conta história de mulheres que, em meio à pandemia, lutam para manter bem-estar dos filhos

Por greyce bernardino | Edição do dia 09/05/2020 - Matéria atualizada em 08/05/2020 às 21h48

Neste Dia das Mães, a Gazeta conta a história de mulheres que, desde o começo da crise, lutam, por dia, uma batalha, a fim de garantir o bem estar de seus filhos; uma delas está na linha de frente contra a Covid-19 e relata os desafios da profissão no cenário atual

Em 2020, o mundo mudou. Hoje, o que não fazia parte nem dos nossos piores pesadelos, agora é realidade. Convivemos, diariamente, com a dor, a tristeza e o medo, sentimentos causados pela pandemia da Covid-19, que também deu um novo sentido neste 10 de maio, data em que se comemora o Dia das Mães. 

Com o isolamento social e a crise econômica que se alastra no país, o papel da ‘mulher mãe’ ganhou destaque pela força da proteção, ao querer, quase insistentemente, que o outro fique bem. Nessa data tão especial, a Gazeta conta a história de três mães que, desde o começo da pandemia, lutam, por dia, uma batalha, a fim de garantir o bem estar de seus filhos. Uma delas, por sua vez, está na linha de frente contra a Covid-19 e conta, também, sobre a responsabilidade de exercer sua profissão no cenário atual. 

A dor de quem já vive com pouco há anos

Sentada à frente de seu barraco, às margens da Lagoa Mundaú, no bairro Vergel do Lago, em Maceió, Maria Nazaré, de 31 anos, observa seus cinco filhos, sendo três meninos de 5, 7 e 11 anos, e duas meninas, uma de 9 e outra de 4 meses, brincarem. A cena, quase serena, é interrompida pelo semblante abatido da dona de casa. Com o seu marido desempregado devido à falta de trabalho no período de pandemia, a feira do mês já se próxima do fim, o que impõe dúvidas de como a família deve sobreviver sem comida nos próximos meses. A reunião com toda a família para comemorar o Dia das Mães, segundo ela, também não é certa para acontecer, em virtude das dificuldades que enfrenta. 

“É bem difícil toda essa situação que estamos agora. O pior é que isso sempre foi comum para nós, mas, hoje, com toda essa tragédia causada pelo coronavírus, só nos restam dúvidas. Se já era difícil para trabalho antes, imagina agora? Meus filhos estão crescendo, necessitam de conforto, mas eu e o pai não podemos dar. Nossa sorte são as pessoas que doam cestas básicas e materiais de higiene para a comunidade mais carente como a nossa”, disse. 

Morando em um lugar sem saneamento básico e esquecido pelo poder público, ela conta que o seu maior sonho é comprar uma casa, onde todos os seus filhos possam ter seus quartos e privacidade. 

“Se alguém me perguntasse o presente ideal para mim, seria, com toda com certeza, ter a minha própria casinha. O presente não seria totalmente para mim, mas eu ficaria feliz por completo, pois, meus filhos estariam em um lugar adequado. Aqui, no meu barraco, quando chove, acordamos com a água tomando conta de tudo o que temos. São cenas tristes que não saem da cabeça”, falou. 

Nazaré relata, ainda, a preocupação com os filhos em meio à pandemia. Sem condições financeiras para comprar os materiais de higiene necessários, a exemplo de álcool em gel e sabão, ela tem que se virar com o que pode, mas, confessa, que isso não é o suficiente. Ela conta com a ajuda, apenas, do Bolsa Família, em um valor de R$ 177.

“Se eu comprar o que as autoridades de saúde mandam, não sobra dinheiro para comer. Já moramos em um lugar sujo, que faz pouco tempo que tem água encanada, então minha cabeça fica a mil, pois estou com medo dessa doença chegar nos meus filhos. Daí percebo a força que tenho para proteger eles. Limpo nosso barraco com mais frequência e não deixo nenhum deles ficar por muito tempo na rua. São medidas pequenas, que não fazem tanta diferença, mas eu não posso perder a fé”, frisou. 

Três dos filhos da dona de casa são asmáticos, o que a preocupa ainda mais, já que eles se encaixam no grupo de risco da doença que, acomete, principalmente as vias respiratórias das vítimas. “É só sofrimento. Mas não penso só pelo o lado ruim. É uma dádiva ser mães deles. O que eu puder fazer para proteger eles, vou fazer”, completa. 

Amor à distância

Foto: ARQUIVO PESSOAL
 


A fisioterapeuta Valéria Sarmento, de 38 anos, está na linha de frente no combate ao coronavírus. Ela trabalha no Hospital da Mulher Drª Nise da Silveira, em Maceió, unidade que vem recebendo pacientes com Covid-19 e, como forma de proteger a saúde de sua filha, Marília Nogueira, de 9 anos, ele optou pelo distanciamento. A criança, que é asmática, no entanto, passou a ficar mais tempo na casa da avó. 

“Tenho uma rotina intensa de trabalho, além de tudo me desloco para outro município alguns dias na semana, e quem me apoia na minha ausência é o pai, apesar sermos separados, a avó e a Babá Diana, que já consideramos como membro da família por está conosco desde o nascimento da minha pequena. E como forma de demonstrarmos nosso carinho, a própria Marília à escolheu para o seu batismo”, contou Valéria ao ser questionada como anda a rotina da família no período de pandemia. 

“Também triplicamos nossos cuidados. Marília é uma criança asmática, com uma comorbidade que faz parte da zona de risco dessa pandemia. Eu, como fisioterapeuta, estou trabalhando em hospitais que atendem infectados da Covid-19, então optamos por Marília ficar com a avó nesse momento delicado, até as coisas se normalizarem”, completou. 

Valéria conta também que não vai passar o Dia das Mães com a filha. “Ao mesmo tempo que estou ansiosa pela data, estou triste. Meu plantão de 24hs caiu exatamente no domingo, então isso deve reforçar nossa distanciamento”, lamentou. 

Por fim, Valéria falou sobre as dificuldades de exercer a profissão no cenário atual. “Como estou vendo de perto toda essa situação de caos no mundo inteiro, sinto-me sensibilizada por toda situação e por todos que estão passando por esse momento triste e principalmente a quem perderam seus entes queridos. Peço a todos a colaboração de ficarem em casa e saírem apenas se necessário. O decreto é fundamental para evitarmos mais mortes e um colapso na Saúde. É a forma mais prudente de podermos evitar mais angústias do que o cenário atual apresenta. Que Deus nos proteja e permita-nos que os próximos dias  sejam de notícias de curas e formas de avanço da medicina para uma possível vacina ou anticorpos capazes de combater o coronavírus”. 

Mãe solteira X quarentena 

Foto: ARQUIVO PESSOAL
 


Desde que a quarentena começou, a revendedora de cosméticos Ana Paula, de 28 anos, vem se desdobrando para cuidar da casa e dos filhos, uma menina de 13 anos e um garoto de 7. A família está cumprido a medida de isolamento social e ela ressalta que, por isso, a comemoração da data será diferente este ano. 

“Antes da pandemia, o meu Dia das Mães costumava ser com minha mãe, meus filhos e meus irmãos todos juntos, mas, infelizmente, esse ano vai ser diferente. Meus filhos me presenteava juntamente com um abraço e, agora, isso será mais contido. Será apenas eles e eu em casa. Temos que ser exemplo, para que esse vírus não venha a destruir mais famílias”, ponderou. 

Mãe solteira, Ana Paula conta que, além do cenário de pandemia, uma outra situação vem a deixando inquieta: criar os filhos sem a presença da figura paterna dentro de casa. Conforme ela, a sociedade ainda é preconceituosa quanto a essa realidade. 

“Sou mãe solteira, sem emprego fixo e que luta muito para conseguir colocar a comida na mesa e se vestir. Para a sociedade, isso é feio e que eu preciso de um homem. Porém, poucos sabem que, apesar de todos os perrengues, eu consigo me virar sozinha. Estou aqui firme e forte, lutando para não ver meus filhos passando por nenhuma dificuldade, principalmente nesse período que está ruim de dinheiro para todo mundo”, destacou.

“Trabalho revendendo cosméticos, mas não tenho lucro. Também recebo o Bolsa Família, em um valor de R$ 171, além de contar com a ajuda da minha mãe, que, por vez, faz a minha feira do mês e paga o meu aluguel. E isso só mostra a força que uma mulher tem de manter uma casa e quantas famílias quiser”, completou Ana Paula, que se declara, logo em seguida, para os filhos:

“Ser mãe significa amor. É um sentimento forte e, ao mesmo tempo, estressante. É ter paciência quando você quer explodir e saber cuidar no momento quando seus filhos mais precisam. Ser mãe é ser mil em uma para tudo e todas as ocasiões. É enfrentar o mundo e todos para ver eles bem”, concluiu.

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