Cidades
DINÂMICA DO VÍRUS NO BRASIL É PARECIDA COM OUTROS PAÍSES
Relaxamento da quarentena está se refletindo no aumento do número de casos, alertam médicos
Sérgio Lira - que atua no grupo composto por 10 professores dos institutos de Física, Matemática e Computação, formado após a pandemia do novo coronavírus - explica que a equipe se organizou para fazer previsões numéricas e simulações computacionais sobre a Covid em Alagoas. “Os relatórios não só constam atualizações de projeções, incluem mais elementos que a gente vai aperfeiçoando de modelos e coleta de dados. É importante entender dois aspectos, um é a evolução natural da epidemia caso nenhuma medida fosse tomada pelo governo, nesse aspecto realmente o Brasil está parecido com outros países não tem nada que diga que a dinâmica do vírus aqui seja diferente de outros países. Por exemplo, o clima não está ajudando a gente”, acrescenta. Segundo o professor, a explosão de casos no Brasil é muito parecida com países como a Itália, a Espanha e os Estados Unidos que têm situação climática diferentes. Ou seja, a dinâmica do vírus tem sido muito semelhante. “Outro quesito é que o que nós como sociedade fazemos como relação a epidemia. Isso sim muda a dinâmica da epidemia. Se a gente entra em isolamento, se faz medidas de restrição de circulação a gente muda a dinâmica da epidemia. A gente vê, por exemplo, comparado com os Estados Unidos, que o Brasil agiu cedo. O problema é que a gente não está intensificando as medidas de isolamento social, a gente está relaxando e a população voltando para a rua e isso está aparecendo nos gráficos. Novamente o Brasil está voltando a crescer nos ritmos iniciais que são muito perigosos, antes do isolamento”, avalia.
A reportagem pergunta a Sérgio Lira sobre o que deve acontecer em Alagoas quando se aproximar a saturação dos leitos destinados aos pacientes com Covid. “Se continuar chegando pacientes com Covid vão ocupar os outros leitos, aí as pessoas que precisam ser atendidas por outros problemas não vão ser atendidas, é o que a gente chama de efeito colateral porque têm as pessoas que terão ataque cardíaco, AVC, essas pessoas não vão ser atendidas. O colapso do sistema hospitalar é a incapacidade de atender as pessoas que estão precisando e um passo para o caos que a gente viu em Manaus, as pessoas morrerem em casa e o governo ter dificuldade inclusive para recolher e enterrar os corpos. É realmente uma situação muito difícil se deixar chegar nesse ponto”, finaliza.
ESTADO TEM 455 LEITOS EXCLUSIVOS PARA COVID-19
Sobre a possibilidade de colapso no sistema de saúde, o diretor médico da Santa Casa de Maceió, Artur Gomes Neto, diz que a situação é realmente muito preocupante e o número de casos, de pessoas adoecendo, procurando os ambulatórios das UPAs e os hospitais privados está crescendo.
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“Essa questão de SUS e de convênio não deve existir mais não. São alagoanos que estão precisando do sistema de saúde de maneira geral. A gente tem conversado muito com os gestores da saúde e estamos todos preocupados. Esse trabalho de abrir o Hospital Metropolitano vai dar um alívio ao Sistema Único de Saúde (SUS) e a todos que precisarem, vai dar uma tranquilidade a mais no sistema. Quanto mais leitos a gente dispuser, mais pacientes vão poder se internar, mais alta a gente vai poder dar”, declara. Segundo Artur Gomes, o paciente passa em torno de dez dias internado, e se houver leitos, então começa a ter alta e liberar vagas. “O que mais preocupa a gente é o paciente da UTI ou os que estão na enfermaria que agrava o quadro e precisa da UTI. Isso é comum acontecer. Por isso a gente não pode preencher todos os leitos, tem que deixar reserva para os pacientes que estão internados”, conclui. Segundo o governo do Estado são 455 leitos exclusivos para a Covid-19 em Alagoas - incluindo da rede pública e contratualizados - e, com a entrega do Hospital Metropolitano prevista para este mês, devem ser gerados 160 leitos destinados ao tratamento do novo coronavírus.