Cidades
MELHOR ALTERNATIVA É INTENSIFICAr ISOLAMENTO E DISTANCIAMENTO
Para especialistas, rede pública deve saturar completamente o número de leitos nos próximos dias
O clínico geral Vitor Ramalho, coordenador médico da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Benedito Bentes, também compartilha a mesma opinião que Sérgio Lira. Perguntado se acredita que a melhor saída para enfrentar a doença nesse momento seria o lockdown, ele responde: “No momento em que estamos vivendo, com as unidades de emergência e hospital de referência próximo a esgotar sua capacidade de receber novos pacientes, necessitamos sim de medidas como o lockdown para que consigamos mitigar a curva de crescimento do número de novos casos”. Para impedir o colapso do sistema de saúde, na avaliação de Vitor Ramalho, é necessário um conjunto de medidas. “Precisamos de medidas que aumentem a porcentagem da população adotando as orientações de distanciamento social, assim como precisamos de mais leitos de UTI e enfermaria, assim como aumentar a capacidade de atendimento das unidades de emergência. Precisamos também que a população reduza a procura por atendimento quando está apresentando sinais leves da doença ou com outros problemas leves não relacionados ao Covid, para que a equipe consiga focar seus esforços em atender quem nesse momento precisa mais”, explica. E sobre estudos que apontam que a epidemia ainda estará em forte crescimento nas próximas semanas, o que resultaria em uma demanda crescente por leitos de UTI, agravando ainda mais a situação em junho, o clínico geral explica “nas últimas duas semanas estamos vendo um grande aumento no número desses pacientes. Nossa unidade vem há alguns dias trabalhando próximo da sua capacidade máxima de atendimento, assim como muitos dos hospitais que foram estruturados”, finaliza. O médico clínico da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Memorial Arthur Ramos, Rodrigo Cruz, avalia as estimativas apresentadas pelos pesquisadores da Ufal, que alertam para colapso no sistema de saúde ainda este mês, caso não sejam adotadas medidas mais rígidas de mitigação. “Sim, essa preocupação é real e a gente já observa essa lotação dos leitos de UTIs nos hospitais privados que a gente trabalha. A rede pública de saúde deve muito provavelmente nos próximos dias entrar em colapso, deve saturar completamente o número de leitos se não aumentarem a disponibilidade pelo Estado, baseado na realidade que a gente tem vivido hoje nos hospitais privados que trabalho a previsão é que esses leitos sejam saturados rapidamente”, diz. Se acredita que a melhor saída para enfrentar a doença nesse momento seria o isolamento total, Rodrigo Cruz explica que, sem dúvida, a melhor alternativa nesse momento que beira o colapso é a intensificação das medidas de isolamento e distanciamento social. “A gente sabe os impactos que isso pode gerar para a economia, mas se a gente não realizar essa medidas de forma efetiva e rápida os impactos serão muito maiores futuramente com o aumento do número de mortes, então essa ainda é a medida mais eficaz para diminuir o número de internamentos de novos casos e o sistema conseguir dar conta dessas pessoas e a economia voltar logo a se recuperar. Eu acredito que o poder público tenha essa responsabilidade de informar a população e instituir medidas mais rígidas para a aplicação do distanciamento e isolamento social”.