Cidades
COM PANDEMIA, USO DE OXIGÊNIO EM HOSPITAIS CHEGA A DOBRAR
Presença de caminhões-tanque reabastecendo unidades diariamente virou rotina
A dinâmica do atendimento da Covid-19 inclui o uso de oxigênio medicinal tanto na fase intermediária da doença e, principalmente, em seu estágio crítico, quando o paciente precisa ficar sob os cuidados nas UTIs. Por causa disso, em toda a rede privada e pública destinada ao atendimento o aumento tem sido em média de 60% a 100%.
Na rede pública, o preço está em torno de R$ 5,49 o metro cúbico a depender do modelo do cilindro. Conforme apurou a Gazeta, no Portal da Transparência existem pagamentos realizados dos serviços prestados nos últimos anos, tanto a título de indenização, bem como as compras extras para as recém-criadas unidades intermediárias. Os das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) não entram nessa conta, pois são realizados com os respectivos orçamentos que possuem com base no contrato de serviços.
Os valores, porém, são de processos pagos em anos anteriores. Sobre os gastos realizados este ano, em especial nos meses de março e abril, período em que se intensificaram os casos não há registro. No link específico sobre a Covid-19, qualquer cidadão pode ter acesso, a compra pode está diluída como material médico hospitalar que já tem um gasto, até o momento, segundo a Sesau de R$ 1,4 milhão.
A Gazeta buscou maiores detalhes com a assessoria da Secretaria Estadual de Saúde, mas até o fechamento desta edição não houve retorno. Já o site do PT há o registro de centenas de processos referentes a anos anteriores, mas não uma discriminação sobre as compras realizadas de março até agora, período em que a doença passou a ser uma realidade na vida dos alagoanos. Entretanto, o que se pode dizer é que a oxigenoterapia está mobilizando as várias empresas especializadas a se desdobrarem na entrega, bem como na logística feita nas unidades hospitalares públicas e particulares, já que seu uso pode determinar a vida e a recuperação dos pacientes internados. Como uma das consequências do coronavírus é o cansaço, uma vez que a doença ataca, entre 5 a 12% dos casos, o pulmão dos pacientes, o produto não pode faltar. Por isso é cena comum nas unidades a presença de grandes caminhões-tanques reabastecendo e repondo o produto diariamente. Na Santa Casa de Misericórdia, uma das referências no tratamento da Covid-19, a equipe comandada pelo coordenador de Manutenção Antônio Carlos Chagas se desdobra dia e noite para garantir a presença do produto. Ele garante que a logística, que era intensa, agora, mais do que nunca, está funcionando com precisão para garantir o serviço de quem está na outra ponta: os médicos.
“O trabalho é 24 horas para garantir a reposição e o abastecimento do tanque que temos aqui. A logística é de acompanhamento do consumo permanente para garantir o atendimento principalmente nessa fase depois do Covid. Temos um protocolo de contenção e agora houve uma mudança no perfil do paciente já que são problemas respiratórios agudos. O aumento que tivemos de cilindros de 7 metros cúbicos tivemos um aumento de 65% a 70%. Temos também cilindros de 1 metro cúbico e um tanque de armazenamento”, explicou Antônio.
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Ele revelou, ainda, que o controle do consumo é feito, inclusive, com monitoramento remoto de todo o sistema. O nível é medido diariamente em tempo real tanto pela equipe como também pelo fornecedor. “Temos prioridade máxima de atendimento do fornecedor também por 24 horas. Estamos sempre prontos para reposição em caso de necessidade”, completou Antônio. Sobre o consumo, a característica do paciente é mesmo de uso contínuo, já que a oxigenoterapia é fundamental para quem tem os pulmões comprometidos. O perfil do paciente de Covid-19 é de alguém que exige uma demanda diferenciada. Em outras duas unidades privadas, o Hospital Arthur Ramos e o Hospital do Coração, também tiveram que readequar a logística para garantir a reposição. Nos últimos dois meses ambas as equipes garantiram a estrutura que salvaram vidas. A estrutura do Arthur Ramos, onde a UTI geral foi ampliada de 16 para 28 leitos, o aumento do consumo tem sido gradual, mas a média de 10 mil metros cúbicos já saltou para 11.950 metros cúbicos em março, outros 11.286 em abril e, a expectativa é que os números de maio avance um pouco mais. A área que tinha pacientes com outras enfermidades agora está totalmente dedicada ao tratamento de Covid-19.
No caso do HCor, além da produção própria de oxigênio, o levantamento feito a pedido da reportagem indica, que desde o início do mês de maio até agora, período em que ocorreram mais internações exclusivas para Covid-19, o aumento no consumo e produção foram de 100%, conforme revelou a assessoria da unidade.
No caso desta unidade, a logística também envolve uma operação permanente de monitoramento e reabastecimento dos “bicos”, nas UTIs e salas de cuidados intermediários. Assim como o vírus que é invisível, o oxigênio medicinal também não pode ser visto a olho nu. Porém, garantem o “sopro” diário que ao mesmo tempo que provoca conforto, aos poucos, vai garantindo a recuperação na maioria dos casos. O Hospital Unimed vive a mesma realidade de aumento do consumo, porém, ainda não dimensionado. A expectativa é que o crescimento progressivo das internações tenha feito a unidade dedicar ainda mais recursos, mas sem demonstração estatística. Assim como nos demais, o trabalho intenso dos técnicos impediu a apuração, justamente por conta da dinâmica de reposição diária, afim de garantir o funcionamento regular durante a noite. A única certeza, porém, é que graças ao trabalho de anônimos que complementam com as equipes médicas da linha de frente, eles têm conseguido garantir o tratamento e colaborado para salvar vidas do Covid-19.