Cidades
CONSELHO IDENTIFICA FALHAS NO CENTRO DE TRIAGEM
Conselheiros estaduais de saúde fizeram uma visita técnica ao Centro de Triagem para Covid-19, montado no Ginásio do Sesi, no bairro do Trapiche da Barra, em Maceió, na semana passada, e identificaram uma série de falhas. Conforme relatório obtido pela Gazeta, há erros no atendimento aos pacientes (demora é de 3 horas, em média), na distribuição (ou falta) de medicamentos e muita desconfiança dos usuários nos resultados dos testes rápidos.
A comissão esteve no local nos dias 5 e 6 de maio, no horário da manhã, e analisou as condições do ambiente, abordou algumas pessoas que aguardavam por orientações em duas filas e tentou conversar com os profissionais de saúde escalados para o trabalho.
Entre os aspectos analisados, os conselheiros observaram que não há qualquer comunicação entre o Centro de Triagem e as unidades de saúde, sejam elas as UPAs [Unidades de Pronto Atendimento] ou os hospitais, sobretudo o HGE, que fica em frente ao Ginásio do Sesi. Também não encontraram assistentes sociais e psicólogos trabalhando no local.
Eles também perceberam que muitos pacientes saem com receitas de remédios, cujo valor é entre R$ 50 e R$ 300. Se quiserem levar a medicação para casa, precisam enfrentar outra fila, em uma unidade de saúde, já que, no Centro de Triagem, não tomam, ao menos, um antitérmico para baixar a febre.
Pelo menos duas filas são formadas no espaço, sendo uma ao ar livre (do lado de fora) e outra interna, que os conselheiros classificaram como mais organizada, com cadeiras disponíveis e respeito ao distanciamento recomendado entre as pessoas. No entanto, nenhum servidor foi visto orientando os usuários e oferecendo máscaras ou álcool em gel para quem aguardava o atendimento.
Outra falha seria a ausência de um fluxo de prioridade aos trabalhadores da saúde com suspeitas de Covid-19. O único controle do atendimento é feito pelas filas formadas e por ordem de chegada. A maior queixa dos usuários diz respeito ao tempo de espera até a consulta com o médico, que dura três horas, em média. Eles relataram aos conselheiros que foram atendimentos, inicialmente, numa UPA, e orientados a ir ao Centro de Triagem. Boa parte relatou que, apesar de apresentar sintomas, não recebeu medicamento e saiu, apenas, com uma receita para comprar ou buscar nas unidades básicas de saúde. Há insatisfação quanto ao teste rápido também. A maioria tem resultado negativo, gerando desconfiança dos pacientes. Muitos reclamam que não recebem, sequer, um comprovante de que fez o procedimento. Outro exame está disponível, por meio do nariz, mas o laudo é expedido após cinco dias da coleta. No relatório, o Conselho Estadual de Saúde (CES) também faz algumas recomendações à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). O colegiado sugere que os usuários fiquem nas arquibancadas enquanto aguardam o atendimento; que priorizem a consulta e testes rápidos a todos os servidores do estado que apresentem sintomas de coronavírus, com agendamento prévio; que desinfectem com frequência as cadeiras onde ficam os pacientes; que ofertem álcool em gel e máscaras aos que não tiverem; e que seja disponibilizado um documento comprovando a realização dos testes, assim como o resultado. O documento preparado pelo CES, e assinado pelos conselheiros Francisco Ricardo Correia Mata, Josileide Carvalho e Renê Godim, será avaliado pelos demais integrantes do colegiado, que devem encaminhar pedido de providências ao Governo do Estado.