Cidades
FAMILIARES DE VÍTIMAS DA COVID RESISTEM EM FALAR DA DOENÇA
‘Ver meu bebê no caixão é uma imagem que não sai da minha cabeça’, diz mãe de bebê que morreu por causa do coronavírus
A cada dia, o Estado registra dezenas de mortes de alagoanos com a Covid-19. São mais de 170 pessoas mortas, entre elas, Benjamin, recém-nascido e filho de Carla Vitória Pereira dos Santos, de 21 anos, e irmão gêmeo de Marcelo.
Carla, estudante de Enfermagem, estava isolada desde 23 de março, mas descobriu os primeiros sintomas do novo coronavírus no dia 26 de abril. Dessa descoberta até os dias atuais, a jovem trava uma batalha contra o vírus, que tirou a vida do seu pequeno Ben.
“Os bebês não nasceram prematuros por conta da Covid e sim por conta da complicação que estava tendo. Perder Benjamim, que teve coronavírus, foi como perder um membro do meu corpo”, conta a estudante.
Emocionada, Carla Vitória diz o quanto gostaria de ter os dois bebês com ela. “Estava acostumada com ele por 7 meses e do nada não tinha mais. É uma dor que não desejo a mãe nenhuma. Ver meu bebê no caixão é uma imagem que não sai da minha cabeça. Eles são idênticos. Marcelo vai me lembrar todos os dias o Benjamin” , desabafa.
Marcelo, o bebê gêmeo, que se encontra internado na UIT Neonatal teve complicações devido à extrema prematuridade e é quem concede forças à mamãe Carla.
“O que me fortalece ainda é Deus por permitir a vida do meu outro filho, mesmo ele estando na UTI neonatal. Eu sinto que tenho que estar bem pra receber ele da melhor forma. Não vejo a hora de encontrar ele”, diz acrescentando que, “infelizmente as pessoas só passam acreditar quando acontece na família”.
A Gazeta de Alagoas tentou conversar com outros familiares de vítimas da Covid-19, mas eles não quiseram se identificar ou prolongar a conversa porque estavam visivelmente abatidos, e disseram que sentem “uma dor inexplicável”, que estão com “a vida dilacerada” e “muito abalados por perdas tão precoces”.
Entre um relato e outro, e em respeito a Carla e aos familiares dessas vítimas, a reportagem estende os braços para abraçar, mesmo à distância, todos os que já perderam um ente ou amigo querido para o novo coronavírus porque, a gente sabe, não é fácil perder sem ter a chance de se despedir de quem a gente ama.
Até o fechamento desta edição, nessa sexta-feira (15), eram 187 óbitos. E, segundo as recomendações dos especialistas em saúde, a melhor forma, no momento de conter o avanço do vírus, é ficando em casa, usando máscara e mantendo a higienização.