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ENSINO ONLINE EXPÕE DIFERENÇAS SOCIAIS ENTRE OS ALAGOANOS

Nem todas as escolas e famílias têm estrutura ou ferramentas para manter o ensino na pandemia

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Imagem ilustrativa da imagem ENSINO ONLINE EXPÕE DIFERENÇAS SOCIAIS ENTRE OS ALAGOANOS
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A pandemia do novo coronavírus afetou diretamente o setor educacional de Alagoas. Em decorrência do novo vírus, as escolas do Estado tiveram que suspender as aulas e optar por uma nova forma de ensino, através das plataformas online e dos aplicativos de estudo. Contudo, esse novo esquema vai em contrapartida com a realidade de grande parte dos alagoanos, que vivem na pobreza e muitas vezes não possuem acesso a internet ou a ferramentas educacionais. A mudança no sistema educacional, principalmente na rede pública, foi brusca e pegou todos de surpresa, sendo algo nunca antes vivido será necessária uma adaptação que virá aos poucos, conta o diretor geral de Gestão Educacional da Secretaria Municipal de Educação (Semed), Roberval Ferreira. “O sistema educacional inteiro foi pego de surpresa com essa mudança na forma de ensino. A rede privada será extremamente afetada sim, já que nem todas as escolas possuem estrutura, mas é longe do desafio que enfrentaremos para a rede pública, que abriga jovens que vivem em situação de pobreza”, contou o diretor. “Quando nos deparamos com essa situação, percebemos que muitas escolas do ensino público de Alagoas já estavam mantendo um certo contato com os alunos, através de grupos no Whatsapp ou Facebook, isso, de certa forma, ajudou nesse período de transição, ainda que não seja fácil, porque o número dos que dispõem dessas ferramentas também é baixo”, disse. Roberval Ferreira ressalta que em torno de 70% dos pais dos alunos da rede pública de ensino são analfabetos, então o contato neste momento tem sido feito a partir de vídeos e áudios, visando à comunicação como ela for possível, visto que muitos alunos do ensino público são de séries que vão até o 9º ano, então a escola precisa tratar com os pais. O diretor-geral de Gestão Educacional conta que o foco da Semed neste momento está sendo em manter o vínculo com o aluno que está longe da escola, uma vez que as escolas públicas da capital não possuem condições de manter o ensino a distância, e muito menos os alunos possuem ferramentas para receber esse conteúdo. Segundo Roberval, a Semed está trabalhando na criação de uma plataforma onde os alunos poderão acessar conteúdos educacionais e atividades. Na rede privada, a situação não é exatamente a das mais favoráveis, de acordo com o presidente do sindicato dos professores, Eduardo Vasconcelos. “Nem toda escola privada possui capacidade tecnológica de ponta. Costumo falar que existem três tipos de escolas particulares em Alagoas. As mais caras, que possuem equipamentos necessários; as medianas, que são aquelas que possuem nível de prestar pelo menos 70% do serviço, e as de periferia, que não possuem condições de estabelecer ensino a distância”. Para a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal), Maria Consuelo, o emplacamento de ensino a distância, sem levar em consideração as desigualdades sociais, levará a uma exclusão maior do que a que já temos. “Alagoas apresenta os maiores indicadores de desigualdades sociais. Neste caso, este formato de ensino, com certeza, aprofundará ainda mais a exclusão dos estudantes que já vivem à margem dos direitos sociais básicos para sua sobrevivência”, explicou a presidente. Para a pedagoga Ana Cristina, este é um momento delicado na vida de muitos pais e alunos alagoanos, que possuem uma situação econômica desfavorável para lidar com essa nova forma de ensino. Ela explica que apesar das dificuldades os pais devem tentar dialogar com as escolas para evitar danos maiores a educação dos alunos. “O papel da família é colaborar com a escola em todos os momentos, principalmente o que estamos vivenciando. Buscando juntos formas de não prejudicar o aluno”.

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