Cidades
Conselho aprova cota para acesso de estudante negro � universidade
FÁBIA ASSUMPÇÃO O sistema de cotas para o acesso de estudantes negros à Universidade Federal de Alagoas (Ufal) foi aprovado, ontem, por unanimidade, pelo Conselho Universitário (Consuni). A partir do vestibular de 2004, 20% do número de vagas de todos os cursos da Ufal serão destinados a negros oriundos de escolas públicas, sendo que deste percentual 60% serão para mulheres negras e 40% para homens negros. O professor Moisés de Melo Santana ? do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab) e membro da comissão que elaborou o documento para o Programa de Políticas de Ações Afirmativas para Afro-descendentes no Ensino Superior da Ufal - considerou uma vitória para o movimento negro a aprovação do sistema de cotas. A proposta teve o voto favorável, inclusive, pelo reitor Rogério Pinheiro, que pela terceira vez durante oito anos de gestão decidiu manifestar sua posição numa reunião do Conselho Universitário. Moisés Santana explicou que apenas alguns pontos do projeto sofreram modificações. Inicialmente, o sistema de cotas beneficiaria os alunos de escolas públicas e privadas. Mas o conselho decidiu aprovar apenas para alunos de escolas públicas. Houve discussões, ainda, sobre o percentual de vagas diferenciadas para mulheres negras, que acabou sendo também aprovado. Segundo Moisés, outras questões de ordem técnica, como a inclusão da disciplina História da África como obrigatória, e a política editorial para os afro-descendentes terão sua operacionalização avaliada pelo Conselho de Ensino e Pesquisa (CEP). Moisés salientou que o programa concebido por uma comissão formada por representantes de diversas entidades (Neab, Consuni, Sedem, Cenal, Adufal, Sintufal e DCE) é voltado para ações afirmativas para afro-descendentes. Mas o sistema de cotas beneficia apenas alunos negros. Devido a esta concepção do programa, o secretário das Minorias e professor de História Zezito Araújo explicou que o critério para que o candidato seja beneficiado pelo sistema de cotas levará em conta o conceito étnico e não a afro-descendência.