Cidades
AÇÃO HUMANA LEVOU À PANDEMIA, DIZ ESPECIALISTA
O Dia do Meio Ambiente, lembrado nesta sexta-feira, 5 de junho, em período de pandemia, revela preocupações, discussões e informações positivas e negativas para o futuro ambiental.
De acordo com o professor do Ifal de Piranhas Claudemir Martins, doutor em Geografia e tecnólogo em Recursos Hídricos e Irrigação, a destruição da natureza intrínseca ao modelo de desenvolvimento do capital no campo, através do agronegócio, da mineração e das grandes obras, como as barragens e hidrelétricas, entre outras, causaram, historicamente, um brutal desequilíbrio ambiental.
“Portanto, essa ação humana, guiada pela lógica do lucro apenas, levou a sociedade a essa pandemia do novo coronavírus e, ao continuar esse modelo, nos levará a outras pandemias mais severas. É preciso investir na Agroecologia, na agricultura camponesa e em uma lógica, verdadeiramente sustentável, impossível pela lógica do capital”, afirma.
O Dia do Meio Ambiente é um dia de reflexão e denúncia, conforme Martins. “Reflexão sobre o modelo de relação sociedade-natureza. Denúncia da destruição que essa natureza, de que fazemos parte, mas nos achamos apartados e acima dela, está enfrentando. É preciso aprofundarmos essa reflexão e a denúncia. Acima de tudo, é um dia para afirmarmos que outra relação é possível, onde o lucro do capital não esteja acima da vida, em todas as suas dimensões. Eis o sentido desse dia. Existem outros caminhos para além da destruição ambiental e precisamos, urgentemente, mudar essa rota. Basta vermos os crimes da mineração em Mariana e Brumadinho e os agrotóxicos em todo o Brasil”.
Operação Ruptura: PC investiga organização criminosa em Coruripe
Instituto Federal de Alagoas abre curso de mídias sociais
Homem é baleado na cabeça após discussão em Arapiraca
Ex-policial militar é preso por golpes em Maceió
Davi Davino confirma convite para ser vice, mas rejeita: "Sou candidato ao Senado"
Apesar dos desastres ambientais, que continuam surgindo, segundo o professor, o isolamento tem sido um fôlego para a natureza. Só que ainda é cedo para comemorar.
“Mas, sabemos que isso vai passar, e em pouco tempo os retrocessos serão materializados. Não basta um fôlego, temos que refletir sobre o modelo de desenvolvimento moderno-colonial no Brasil. Temos que mudar essa rota de desenvolvimento destrutivo”, declara.
MENOS LIXO
O coordenador do gerenciamento costeiro do Instituto do IMA/AL, Ricardo César, diz que, com relação à zona costeira, mais a parte marinha, houve, de fato, uma redução de irregularidades significativa porque não existe uso mais intensivo devido aos decretos que proibiram o uso das praias. “O que percebemos é que a quantidade de lixo diminuiu. A gente pede, caso tenha a reabertura das praias, que evitem o período das fortes chuvas, mesmo sem uso das praias, as galerias pluviais estão circulando na cidade e nós sabemos que existem roedores e isso vai bater no mar com os dejetos químicos”.
Alagoas é praticamente banhada por águas. “As praias são muito utilizadas, os ambientes recifais, como as piscinas naturais. Houve redução, claro, porque está proibido”, disse. Apesar da sobrevivência dos arrecifes, a pesca de sobrevivência ainda é registrada em alguns pontos, onde pescadores vão até recifes próximos da costa.
“Só que é praticamente mínima e isso está permitindo uma recuperação dos ambientes marinhos costeiros. O que se percebe é que a gente vai ter como resultado uma biorrecuperação desses ambientes recifais”, defende Ricardo César, acrescentando que até a areia da praia está mais limpa e clama para que, após a retomada, as pessoas tenham mais consciência.
Claudemir reforça que os movimentos e organizações sociais, pesquisadores, continuam em alerta e acompanhando a movimentação do Ministério do Meio Ambiente.
“No momento, o grande debate é o PL da grilagem, que busca regularizar terras ocupadas ilegalmente no país, e sabemos que vai servir para aumentar desmatamento, invasão na floresta amazônica. Um crime contra o patrimônio público e a natureza. Outro problema é a liberação desenfreada de agrotóxicos nós últimos anos. A sociedade está sendo literalmente envenenada, especialmente, de 2019 para a cá, na gestão do ministro Salles”.
LÓGICA DESTRUTIVA
O professor diz ainda que o maior desafio ambiental para a sociedade mundial “é compreender que a lógica do capital, dos grandes empresários do agronegócio, da mineração, entre outras, é uma lógica destrutiva dos bens comuns naturais”. Há 520 anos, ainda conforme as declarações do professor, no caso brasileiro, destruímos a natureza com esse modelo de produção de commodities.
“Outro caminho é possível e urgente. E temos experiências e pesquisas sobre esse outro caminho. Tratam-se das experiências da agroecologia, da agricultura camponesa, sem agroquímicos. Mas passa também, pela reforma agrária no Brasil. As grandes cidades não suportam mais tanta gente e um campo vazio, apenas com máquinas. Enfim, existem possibilidades para mudarmos o curso da história com relação a destruição da natureza. Para isso, é necessário decisão política e mobilização social para pressionar o Estado e os governos”.