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ISOLAMENTO SOCIAL MUDA ROTINA DE QUEM ESTÁ NO GRUPO DE RISCO

Hipertensos, cardíacos, diabéticos e portadores de doenças crônicas precisam redobrar cuidados

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Imagem ilustrativa da imagem ISOLAMENTO SOCIAL MUDA ROTINA DE QUEM ESTÁ NO GRUPO DE RISCO
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A pandemia do novo coronavírus mudou a rotina de muitas pessoas, principalmente daquelas que estão no grupo de risco, como os hipertensos, cardíacos, diabéticos ou portadores de doenças em geral, que passaram a adotar o isolamento social de maneira mais rígida, a fim de diminuir o risco de contaminação da doença. No Brasil, a primeira vítima do vírus - um porteiro de 62 anos, em São Paulo -, tinha doenças pré-existentes, como diabetes e hipertensão. Por isso, médicos reforçam a recomendação de que esse grupo fique em casa e se isole imediatamente em caso de sinais respiratórios. Sabendo disso, Ingrid Oliveira, de 23 anos, vem tomando todos os cuidados possíveis. Ela é portadora de lúpus - doença inflamatória autoimune - e, desde que os casos da Covid-19 começaram a explodir em Alagoas, optou por se isolar, prevenindo sua saúde, por reconhecer os riscos da doença viral. Ela foi diagnosticada com lúpus em 2014. “Em setembro de 2014 começaram a surgir manchas nos meus joelhos com a aparência de picada de mosquito. Fiquei observando por uns dias e percebi que vinham aumentando gradativamente, até que um dia eu acordei e estava dos joelhos até os pés. A partir disso, entrei em pânico e fui na emergência. O médico que me atendeu, no entanto, disse eu precisaria ser consultada por um hematologista e, então, me encaminhou ao Hemoal. Chegando lá, fiz os exames e minha contagem de plaquetas estava em 4.025, quando o normal é, no mínimo, 140.000. Recebi o diagnóstico de Púrpura Trombocitopênica Idiopática. Por ser uma doença no sangue, resolveram fazer uma bateria de exames, entre eles o FAN e o Anti-DNA, para investigar melhor esse diagnóstico. A partir daí, uma das médicas da equipe pediu para que eu procurasse também um reumatologista amigo dela, porque ela desconfiava que fosse Lúpus. Quando cheguei ao HU ele disse que iria pedir mais exames pra confirmar, mas que já tinha 90% de certeza do diagnóstico. No final o resultado foi lúpus”, lembrou. “Por ser uma doença que não era tão conhecida na época, eu fiquei com muito medo, principalmente porque não tem cura. Fiquei desesperada com a ideia de precisar tomar remédio para o resto da vida”. De lá para cá, os cuidados com a saúde da jovem passaram a ser rígidos, com remédios e idas aos consultórios médicos. “No início, por conta das plaquetas, eu precisei tomar altas dosagens de variados remédios e fazer uma dieta por conta da imunidade e do corticoide que faz o paciente reter líquido e assim engordar se tomar altas dosagens, que foi o meu caso. Em dois meses eu cheguei a engordar 17kg, pois a dosagem que eu tomava era muito alta. Além do corticoide prednisona, tomei azatioprina. Gradualmente eles foram sendo reduzidos, até que não precisei tomar mais. Desde o início do diagnóstico da doença comecei a tomar hidroxicloroquina e sou dependente dele até hoje, pois ele é o que controla a doença”. Apesar da doença, a jovem conta que consegue ter uma vida normal, sem recaídas em seu quadro clínico. “No início eu precisei parar tudo, pois os médicos recomendaram repouso absoluto por conta do risco de eu ter um AVC. Porém, hoje, consigo ter uma vida normal. Não tenho limitações e graças a Deus consigo fazer tudo normalmente”, frisou. Porém, na pandemia, Ingrid passou a ser mais cautelosa, ficando mais tempo em casa. Ela é estudante do curso de Jornalismo e, com as aulas presenciais suspensas, vem mantendo seu isolamento social. “Cancelei todos os compromissos que tinha para me cuidar de casa. Minhas consultas são a cada seis meses, porque a doença está controlada, e, como fui atendida em março, a próxima ida ao médico é em setembro. Então estou em isolamento total”. Ela também disse entender as pessoas que não podem estar em quarentena devido aos seus trabalhos, principalmente os que estão na linha de frente contra o coronavírus, mas que enxerga muita falta de responsabilidade daqueles que, de alguma forma, não se importam com a doença ou com a saúde do próximo. “Existem pessoas que realmente não podem ficar em casa por questão de sobrevivência. Mas há pessoas que não têm responsabilidade social sobre o que está acontecendo, o que acaba me entristecendo, pois cada vez mais pessoas estão morrendo e os casos só aumentam. Sem falar daqueles que estão, até, fazendo social como se nada estivesse acontecendo. É muito revoltante”, disse.

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