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QUEDA NO ISOLAMENTO LEVARÁ A MAIS MORTES

Para o infectologista Marcelo Constant, é preciso que o governo convença a população a adotar o distanciamento

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Imagem ilustrativa da imagem QUEDA NO ISOLAMENTO LEVARÁ A MAIS MORTES
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“Se não endurecer vamos perder muitas vidas”. De forma objetiva, o infectologista Marcelo Constant foi duro nas palavras ao comentar os riscos de contágio e o possível “estouro” do número de casos de Covid-19, em Alagoas. Para ele, além do endurecimento das ações, há uma necessidade de que o governo se faça crer para convencer.

“É preciso se fazer acreditar. Aqueles que passam a mensagem deveriam se fazer acreditar. Infelizmente, não é bem isso que está havendo. É lamentável!”, destacou o especialista, ao tentar explicar a queda no isolamento social.

Há uma semana, a média do isolamento não ultrapassou os 40% de reclusão, quando o ideal considerado pelos especialistas seria 60%. Com a quebra desse ciclo de contágio, os reflexos desse comportamento será sentido nas próximas duas semanas, justamente no período em que Alagoas pode se aproximar do pico da doença e, consequentemente, necessitar de mais leitos. A crescente, porém, ninguém sabe ao certo, já que o comportamento do vírus está diretamente ligado ao movimento ou não das pessoas. Constant lembrou que se por lado a doença tem remédios paliativos, a única coisa mais eficaz continua sendo dificultar o avanço do vírus. Isso porque, somente assim, os casos podem frear um pouco e dar tempo do sistema de saúde equilibrar o atendimento com o número de vagas. Sobre os flagrantes de desrespeito, seja dos mais jovens e também de pessoas maduras, que nem sequer utilizam máscaras ou as usam de forma errada, é um misto de desinformação com ignorância. Além disso, o mau comportamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ajuda a disseminar o descrédito.

“Acho que é uma questão de consciência em primeiro lugar. Principalmente das pessoas que têm o poder de entender a mensagem que é passada. Mas, também, passa pela questão da ignorância. Infelizmente muita gente não acredita que há um ser microscópico ceifando milhares de vidas. E a velha estória, acham que não vão ser vítimas por praticar esporte e ser atleta e jovem”, constatou o especialista.

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Quanto ao aumento do número de casos, ele destaca que o momento, assim como em outras capitais e regiões metropolitanas, indica uma “crescente no número de casos”. Com a experiência de quem analisa friamente os números e os gráficos de crescimento, foi claro em dizer “que isso não vai arrefecer em pouco tempo”. “Mas, quanto ao fato de jovens não se protegerem com máscaras, significa que os pais também não estão preocupados. Infelizmente há uma falta de consciência generalizada, até porque as pessoas que deveriam dar exemplo não se comportam de maneira correta. A gente vê as maiores autoridades do País, de repente, ou usando a máscara errada: na testa, nos olhos...uma ignorância total. E até a aquelas que não as usam nem combatem as aglomerações. São as pessoas que deveriam dar exemplo e fazem exatamente o contrário do bom sendo e da lógica”, disse o médico.

PREOCUPAÇÃO

Do lado de quem planeja a cada dia, a agonia aumenta, porque existe a necessidade diária de fazer um malabarismo que garanta acesso por meio das unidades de entrada e, quando necessário, o encaminhamento para as de referência. A matemática da vida não ajuda por causa do aumento do número de casos. E a perspectiva de colapso é cada vez mais real para a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau). “Com as pessoas cada vez mais nas ruas, o isolamento social é reduzido, a curva de contaminados aumenta e o número de pessoas que necessitam de internação cresce. É uma situação que mantém o Estado preocupado, pois tende a aumentar a ocupação dos leitos exclusivos para o tratamento de pessoas que estão infectadas pela doença”, informou a secretaria por meio de nota. Até a última terça-feira, o mapa da ocupação de leitos estavam assim: dos 1.076 leitos existentes só para coronavírus, 219 de UTI; 31 intermediários localizados nas UPAs; e 826 leitos de enfermaria, 676 estão ocupados, representando uma taxa de ocupação de 63%. Os leitos são geridos pelo Governo de Alagoas e estão localizados nos Hospitais da Mulher, Metropolitano, de Campanha Dr. Celso Tavares, além de hospitais contratualizados e filantrópicos nos municípios de Maceió; Arapiraca; Coruripe; São Miguel dos Campos; Rio Largo; Viçosa; Maragogi; Marechal Deodoro; Palmeira dos Índios; Penedo; e Delmiro Gouveia.

“O governo também injetará cerca de R$ 2 milhões em UPAs do interior nos próximos três meses e o incremento financeiro visa melhorar a assistência das unidades que são porta de entrada da rede de urgência no combate ao coronavírus. A rede hospitalar já fez mais de 2 mil internações em 60 dias para tratar a Covid-9. Só nesse período, são 2.009 alagoanos que tiveram acesso a um leito exclusivo para a Covid-19”, concluiu o comunicado da Sesau.

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