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Dez mil v�o �s ruas do Benedito Bentes pedir paz

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Mais de dez mil pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar, participaram, ontem, de uma grande manifestação pela paz, no Benedito Bentes, iniciada com a Caminhada pela Paz. Estudantes e moradores saíram às 15 horas das escolas José Tavares, no Benedito Bentes I, e Rubens Canuto, no Benedito Bentes II, e se encontraram na Praça Padre Cícero. Estiveram mobilizadas 15 escolas das redes públicas estadual e municipal, oito escolas da rede privada e dez instituições da sociedade civil organizada. O movimento no Benedito Bentes não foi um ato isolado. Todo o País esteve envolvido em manifestações contra a violência, promovidas pela Rede Globo de Televisão. Em Alagoas, a caminhada pela paz teve o apoio da Organização Arnon de Mello (OAM), da comunidade e do projeto Amigos da Escola. A coordenadora do projeto Amigos da Escola/TV Gazeta e uma das organizadoras do evento, Niteci Abreu, disse que está sendo formada no Estado uma comissão chamada ?Amigos pela Paz?, que pretende integrar escola e comunidade contra a violência. Segundo ela, a OAM escolheu o Benedito Bentes para ser palco da caminhada por causa do elevado contingente de escolas do complexo atendidas pelo Amigos da Escola e por ser um bairro populoso, com 179 mil habitantes. Essa elevada densidade populacional, a falta de infra-estrutura e de condições de vida agravam o problema da violência no Benedito Bentes. Essa é a opinião do Coronel Rosendo, comandante do Quinto Batalhão de Polícia Militar. Segundo ele, o bairro já foi o mais violento da capital e hoje ocupa a quarta posição no ranking da violência em Maceió. ?A melhora deve-se ao trabalho preventivo que estamos realizando e à maior interação entre a PM e a população, que tem ligado para o disque-denúncia e contribuído para o nosso trabalho?, relatou. ?A polícia aqui não está trabalhando, mas está envolvida na manifestação e interagindo com a comunidade. A maior prova disso é que os policiais estão desarmados, dando um exemplo para todos?, disse. No meio da multidão era possível encontrar alguns exemplos de pessoas que combatem a violência usando como arma a solidariedade. É o caso do professor de tae kwon do, João Francisco, voluntário do programa Amigos da Escola. Esporte Além das técnicas da arte marcial, ele passa para os seus 78 alunos nas cinco escolas em que ensina, sentimentos como a humildade, a perseverança e o senso de disciplina. A diretora da Escola José Tavares, Mailda Francelino, diz que recomenda aos alunos mais rebeldes a prática de tae kwon do e capoeira. Os resultados na mudança de comportamento, atesta a diretora, são positivos. Tão positivos que revela campeões. O garoto Carlos Vítor, 17, um dos alunos de João Francisco, foi o primeiro colocado no Brasil Open de tae kwon do, categoria juvenil, realizado em julho, em São Paulo. Foi lá que Carlos conquistou o bronze no mundial, no ano passado. Além de ser um atleta premiado, Vítor diz que aprendeu a respeitar mais os amigos, os pais e os professores. ?Essa caminhada foi um grito da comunidade contra as várias formas de violência e o desejo de viver num lugar mais saudável com paz para todos?, disse o presidente do Conselho Tutelar da região, Cacá Martins.

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