Cidades
CRESCEM CASOS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER
Falta de estrutura para o atendimento às vítimas deixa processo de denúncia mais difícil
O crescente casos de violência contra a mulher revela a falta de estrutura para o atendimento a mulher. De acordo com a advogada do Centro de Defesa dos Direitos da Mulher, Mylla Bispo, o processo de encorajamento da vítima para denunciar é mais difícil.
“Especialmente em Maceió temos uma Rede de Enfrentamento a violência contra Mulher razoavelmente estruturada, como a presença de delegacias especializadas, o Juizado de Violência Doméstica e Familiar, o Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM), a Patrulha Maria da Penha e o Centro de Defesa dos Direitos da Mulher”, diz a advogada.
Entretanto, fora da capital, de modo geral, ainda conforme Mylla Bispo, não há uma estrutura especializada no acolhimento e atendimento a mulheres em situação de violência. “Dessa forma, o processo de encorajamento da vítima para denunciar é mais difícil”. Além disso, a advogada considera que, em tempos de pandemia, a restrição de acessos a alguns serviços dificulta no recebimento de denúncias, bem como no acolhimento de mulheres.
“É necessário um somatório de esforços do Poder Público para que a Rede de Enfrentamento a Violência contra Mulher seja fortalecida no Estado de Alagoas como um todo. Além disso, campanhas informativas para divulgação dos mecanismos de proteção à Mulher em situação de violência. Por fim, a conscientização de todos de que a violência contra mulher é um problema social e estrutural e, principalmente, que demanda empenho de todas as esferas da sociedade”, revela.
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Acidente na Fernandes Lima deixa trânsito lento
Os atendimentos a mulheres em situação de Violência aumentaram consideravelmente neste período de quarentena. Semanalmente, o Centro tem recebido de 5 a 8 casos diferentes através de nossos contatos ou redes sociais.
“Além disso, há situações também de mulheres que já eram acompanhadas pelo Centro de Defesa dos Direitos da Mulher, antes da pandemia, e que também carecem de determinadas medidas judiciais para sua segurança. Por isso, continuamos acolhendo as mulheres tanto o setor jurídico como também o psicossocial”, conclui.
POLÍTICAS PÚBLICAS
Testemunhas e mulheres podem evitar o feminicídio, de acordo com a advogada e presidente da Comissão Especial da Mulher da OAB de Alagoas, Caroline Leahy, que também teceu elogios a Patrulha Maria da Penha, mas reforçou que ainda é necessário investir em políticas públicas e avançar mais. “Estamos vendo com grande preocupação esse momento. O número de denúncias diminuiu, mas isso não significa, infelizmente, que a violência diminuiu. Significa que as mulheres não estão alcançando os meios de denúncias, seja pelo confinamento com o agressor, por não ter como se locomover até a delegacia e até por não conhecer meios alternativos de denúncias”, disse a advogada Caroline Leahy, acrescentando que “não podemos deixar de acreditar que podemos mudar sim o ciclo da violência por um ciclo de esperança”.
EM TRÊS MESES DE ISOLAMENTO SOCIAL, 166 MULHERES BUSCARAM AJUDA NO CEAM JARED VIANA
Quando o isolamento social começou, em março, uma problemática foi revelada: o aumento de violência contra a mulher. De acordo com o Centro Especializado de Atendimento à Mulher Vítima de Violência Jared Viana (CEAM Jared Viana) 166 mulheres foram vítimas de violência no Estado.
Em 2019, a média de atendimentos mensais era de 38. “A gente tem feito um trabalho forte de divulgação dessa rede de atendimento e, de certa forma, tem encorajado as mulheres a denunciar, haja vista que ao denunciar elas sabem que vão ter ao seu dispor serviços de suporte para acolhê-las”, comenta Dilma Pinheiro, superintendente de Políticas para a Mulher da Semudh.
Os atendimentos psicológicos estão sendo realizados de forma online. Já os demais acolhimentos, continuam suas atividades com uma equipe reduzida, por se tratar de um serviço essencial.