Cidades
OCUPAÇÃO DE 84% DAS UTIs EM MACEIÓ PREOCUPA INFECTOLOGISTAS
Ideal é que índice fique abaixo de 70% para que sistema de saúde tenha uma folga emergencial
Em Alagoas, o percentual de ocupação de leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para tratar pacientes que tiveram estado de saúde agravado após infecção pelo novo coronavírus chegou a 80% e, em Maceió, a 84%. Os dados atualizados nessa quinta-feira (18) revelam uma taxa preocupante, com a ameaça de saturação da rede hospitalar, situação já alertada por médicos.
“A situação é preocupante, a gente ainda está com a taxa de ocupação muito alta. O ideal é que esses leitos fiquem menos de 70% de ocupação, porque você tem uma folga emergencial que apareça. Quando tem uma ocupação acima de 80% como está, se houver um novo surto com o aumento de casos, esses leitos que estão vagos ocupam rapidinho”, declara Fernando Maia, presidente da Sociedade Alagoana de Infectologia.
Na avaliação do médico, quando envolve leitos de UTI, a atenção deve ser redobrada. “É o mais urgente porque quem precisa de UTI, precisa agora. Não é para a semana que vem, é para hoje. Em UTI sempre tem que ter vaga, porque quando chega numa situação como essa, com uma taxa de ocupação muito alta, é muito preocupante”, acrescenta o infectologista Fernando Maia.
Alagoas dispõe de pouco mais de 1,1 mil leitos para atender pacientes com Covid-19, desse total mais de 750 estão em Maceió e menos de 200 em Arapiraca. No Hospital da Mulher, unidade referência nesse tipo de atendimento, 47 dos 50 dos leitos clínicos estão ocupados, ou seja 94%. Já no Hospital Metropolitano, inaugurado há pouco mais de mês, todas as 30 vagas na UTI Adulto têm pessoas internadas.
RESPIRADORES
No início deste mês, a Polícia Civil da Bahia desbaratou esquema que culminou com a prisão de três pessoas que teriam ligação com a empresa Hempcare, que foi a escolhida pelo Consórcio Nordeste para vender respiradores. Mas não entregou. Em maio, o Governo de Alagoas anunciou que havia adquirido, nesta compra coletiva, 50 ventiladores mecânicos. A investigação apontou que o Consórcio Nordeste pagou R$ 48 milhões por aparelhos que não foram distribuídos aos estados. Alagoas chegou a desembolsar R$ 10, 5 milhões para a aquisição dos equipamentos. A reportagem perguntou à Secretaria de Estado da Saúde se as unidades que atendem pacientes com coronavírus contam com respiradores suficientes. “Todas as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) exclusivas para o tratamento de pessoas com a Covid-19 são dotadas de respiradores. O estado já recebeu 30 respiradores do governo federal em maio e mais 40 respiradores em junho”, declara. Também questionou à Sesau se houve devolução do dinheiro após o calote e se o governo já providenciou nova compra. “O Governo de Alagoas recebeu, na sexta-feira (12), o reembolso de R$ 4.662.971,58, recursos que haviam sido aplicados na compra de 50 respiradores para equipar Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) destinadas exclusivamente ao tratamento de pacientes acometidos pela Covid-19 no estado. O Estado vem atuando para adquirir mais respiradores”.
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