Cidades
Contamina��o amea�a �guas subterr�neas de Macei�
ANA MÁRCIA A água produzida em poços tubulares subterrâneos existentes na região entre os municípios de Messias e Maceió, até as proximidades do Aeroporto Zumbi dos Palmares, apresentam aumentos nos teores de potássio e outros componentes químicos, resultantes de materiais usados na fertilização e irrigação da cana-de-açúcar. Análises feitas em poços, principalmente do bairro do Farol, mostram quatro vezes mais nitrato que o padrão permitido, enquanto os existentes nas proximidades de lixões, sobretudo no bairro de Cruz das Almas, apresentam contaminantes de chorume, o ?caldo? produzido pelo lixo. Na área do Pólo Cloroquímico de Marechal Deodoro e no Pontal da Barra, em Maceió, há presença de organoclorados nas águas subterrâneas. Esse é o resultado preliminar de um estudo feito pelo geólogo Abel Tenório, denominado Gerenciamento Integrado dos Recursos Hídricos Subterrâneos de Alagoas, desenvolvido para a Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos e Naturais. Abel Tenório, consultor do Programa Pró-Água, explica que o Estado de Alagoas dispõe de quatro mil poços cadastrados. A partir deste trabalho, está se tornando possível o conhecimento das potencialidades e qualidade das águas subterrâneas para permitir o zoneamento nas áreas onde há exploração desordenada. A Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos e Naturais poderá, então, dispor de leis específicas para disciplinar o uso das águas do subsolo alagoano. Segundo conclusões do estudo, em algumas regiões não mais poderá haver a perfuração de poços e em outras, essa atividade deverá ser limitada. ?O que existe é um verdadeiro caos, sobretudo do ponto de vista qualitativo, com a degradação da qualidade das águas?, afirma o professor Abel Tenório. Poluição Foram identificados potenciais riscos de poluição por meio das atividades agrícolas, sobretudo mediante elementos de fertilização e irrigação da lavoura da cana, com solução de vinhaça. Os produtos usados nas atividades agrícolas elevaram o teor de potássio para até 154 miligramas por litro em, entre Messias e Maceió, nos poços analisados por Abel Tenório e sua equipe técnica. O nitrato é outro fator de contaminação provocado pelo sistema de esgotamento sanitário formado por fossas e poços absorventes, nas áreas onde mais se usa esse sistema, como é o caso da região do Farol. Análises comprovaram mais de 40 ppm de nitrato, quatro vezes mais que o padrão permitido na água para o consumo. O excesso de nitrato resulta da urina, que contém amônia e está presente nas fossas, e se transforma em nitrito e depois em nitrato, num processo resultante de efluentestes sanitários. Foram identificados, ainda, contaminação por chorume nas proximidades de lixões, na capital e interior, e por organoclorados em Marechal e Maceió.