Cidades
MESMO COM DECRETO ESTADUAL, PESCADORES SAEM PARA TRABALHAR
“Eles precisam pescar para sobreviver”, diz presidente de colônia; muitos ainda não tiveram acesso ao auxílio emergencial
O decreto de emergência do governo de Alagoas, que impõe o isolamento social e o fechamento de atividades consideradas não essenciais têm afetado a vida de muitos alagoanos. Sem a pesca, sem acesso ao seguro-defeso ou ao auxílio emergencial, muitos pescadores da capital alagoana têm se arriscado e continuado o trabalho, tirando deste, sua única fonte de sustento.
Após a aplicação do decreto emergencial, que afetou a venda do pescado e a atividade de pesca dos pescadores artesanais, a situação complicou, segundo a presidente da Colônia de Pescadores, Maria Aparecida. “Normalmente para pescar muitos iam juntos, isso é considerado aglomeração. Os que vão agora nem sempre conseguem vender depois o que pescam. Além de que, atividades comerciais foram proibidas nas praias, então muitos pescadores foram afetados por esse momento”, contou a presidente.
De acordo com Maria Aparecida, a situação que já tinha se complicado com o decreto de emergência, piorou com o não recebimento do auxílio emergencial. “Os pescadores artesanais não receberam esse auxílio emergencial do governo. Até disseram que iam receber, mas não aconteceu. Eles proibiram a pesca e não deram um auxílio decente. Eles estão sem alternativas durante esse momento difícil”, disse.
Segundo a presidente, o auxílio-defeso, que é o auxílio de um salário mínimo pago em período de paralisação de atividades, deveria ter sido pago no período de novembro a dezembro do ano de 2019, contudo, muitos não receberam todas as parcelas.
Ela conta ainda que, o auxílio emergencial que deveria ser pago aos pescadores que foram afetados em dezembro pelo derramamento de óleo, não foi pago completamente, e diz que ainda há os pescadores que ficaram de fora por seus nomes não aparecerem na lista de pagamento.
Maria Aparecida relata que, os pescadores estão indo pescar porque não há soluções e eles precisam viver. “Muitos não receberam nenhum dos auxílios ou seguros durante esse período inteiro. Pescador agora virou sub-humano, que não tem direito a nada. Eles estão indo pescar, é o jeito, precisam comer. Estão indo poucos juntos, entre três a quatro, para não correr muitos riscos”, informou ela.