Cidades
ENTREGADORES DE APLICATIVOS DE DELIVERy FAZEM PARALISAÇÃO HOJE
Categoria reivindica melhores condições de trabalho, remuneração digna e distribuição de EPIs
Durante a pandemia do coronavírus, que impôs um isolamento social para todos os alagoanos como forma de evitar o contágio do novo vírus, alguns setores sentiram uma maior procura por parte da população, como é o caso do setor de entrega, mais especificamente, os entregadores de aplicativo por delivery. Contudo, a alta demanda simbolizou também uma precarização da jornada de trabalho, com salários baixos e carga horária acima de 12h por dia. Visando mudar esse cenário, nesta quarta-feira (1), os trabalhadores irão parar e pedem para que, nesse dia, ninguém peça comida por aplicativo.
Em Alagoas, toda a classe de motoboys que trabalham com aplicativos de delivery vai parar nesta quarta-feira (1), segundo o presidente do Sindicato dos Mototaxistas e Motoboys do Estado de Alagoas (Simeal), Ed Sampaio. “Na realidade essa manifestação é a título de não utilizar o aplicativo durante esse dia, tanto nosso quanto dos consumidores. Estamos pedindo para aqueles que consomem e compram de aplicativos de delivery para que não peçam nesta quarta-feira”, disse.
“Nossa paralisação visa melhores taxas para rodar e melhores condições de trabalho para aqueles que arriscam a vida todos os dias para entregar produtos. O que hoje nós vemos, a nível nacional até, é a falta de fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como álcool em gel, máscaras, isso por parte dos aplicativos. Queremos chamar atenção nesse sentido, para que vejam que aqueles que estão ali, entregando alimentos e trabalhando, também são pessoas”, explicou.
O presidente do sindicato salienta que, o pedido por direitos e por condições dignas de trabalho, vai tanto para os aplicativos de delivery quanto para os empresários que contratam esse serviço. Ele reforça que, enquanto sindicato, não são contra aplicativos ou tecnologias, pelo contrário, se vierem para ajudar são sempre bem vindos, desde que ofereçam condições dignas para os trabalhadores que estão prestando um serviço. “A demanda de entrega aumentou por conta da pandemia, já que as pessoas não estão saindo de casa. Nesse cenário, um entregador, que já ganha pouco por viagem, começa a fazer várias para conseguir um valor que seja suficiente para sobreviver. Alguns chegam a trabalhar mais de 12h por dia, sem pausa para descanso ou alimentação. Isso é desumano”, frisou Ed Sampaio. Entre as reivindicações da classe estão, o aumento do valor mínimo de viagens, para que possa ser compensado o deslocamento dos entregadores; o fim dos bloqueios por meio de aplicativos daqueles que participarem de protestos; fim da pontuação e restrição de local pela empresa de delivery Rappi; seguro de roubo e acidentes e, claro, a distribuição de EPI’s para todos os profissionais.
ENTREGADORES
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Aqueles que ganham a vida fazendo entregas, como Lucas Felipe, contam que não dá para passar o mês com o quê fazem nas viagens. “No meu caso, eu tive que arrumar outra fonte de renda, porque não estava dando somente com as entregas, e eu rodava o dia inteiro. Tive que optar por trabalhar também como mecânico. Agora, só trabalho com entregas pela noite”, disse o entregador. Ele conta também que, no que tange aos Equipamentos de Proteção Individuais (EPI’s), fica a carga do próprio trabalhador conseguir equipamentos adequados. “Aqueles que não querem se infectar arrumam por conta própria, porque empresa nenhuma dá, muito menos os aplicativos”, relatou. Paulo Sérgio, que também trabalha com entregas, diz que durante a pandemia o trabalho aumentou e parece ter ficado mais barato. “As corridas aumentaram porque a demanda está maior. Paralelo a isso não temos lucro igual as viagens que fazemos. Não vejo ninguém se importar com a classe, por isso vamos fazer essa paralisação e esperamos conseguir nossos direitos.”