Cidades
TRANSPORTADORES PROTESTaM POR VOLTA DE VIAGENS
Transportadores complementares estão desde março sem poder fazer viagens
Motoristas de transportes complementares realizam uma manifestação, na manhã desta quarta-feira (1°), em trecho da BR-104, no município de União dos Palmares, em Alagoas. O motivo do protesto é o impedimento de a categoria realizar viagens intermunicipais devido ao decreto de isolamento social do Governo do Estado, que foi prorrogado por mais 15 dias, no interior. Em maceió, também houve registro do ato.
De acordo com Eduardo Frutuoso da Silva, motorista complementar na cidade de São José da Laje, a situação está caótica, visto que muitos trabalhadores estão sem conseguir sua renda mensal, devido à paralisação do serviço, que já se estende por mais de 100 dias.
“Não aguento mais ficar em casa, sem fazer o meu trabalho. Não entendo, ainda, o motivo de só essa categoria ser afetada nesse novo decreto, divulgado ontem. O centro da capital deve ser aberto nos próximos dias, dentre tantos outros setores, então, me pergunto: só em uma van que um cidadão pega o coronavírus? Isso não existe”, falou indignado.
Ainda segundo ele, que vive exclusivamente do transporte complementar, conseguir dinheiro para a própria alimentação vem sendo complicado nos últimos meses e, por isso, pede que o Governo de Alagoas volte atrás da decisão publicada no decreto, onde classificou as cidades do interior mais suscetíveis ao vírus, estando elas, no entanto, na fase vermelha do Distanciamento Social Controlado.
Eduardo falou, ainda, que, caso a situação permeie até os 15 dias, muitos motoristas entrarão em depressão, visto que muitos já mostram indícios da doença.
“Quando digo que a situação não está fácil, não estou de brincadeira. Há três meses, saímos para trabalhar, ganhar nosso pão de cada dia e, do nada, temos que paralisar nossos serviços, enquanto outros setores estão na ativa normalmente. Então, é normal qualquer pessoa se render a essa doença. Sabemos a gravidade do vírus, mas, também, estamos aptos a quaisquer mudanças. Se for para todos os passageiros usar máscaras, vamos exigir isso logo no embarque, assim como a higienização das mãos com álcool em gel, como vem acontecimento em outros segmentos”, frisou ele.
Ato em Maceió
Em maceió, também houve registro do ato, com transportadores de vans de turismo e escolares fazendo carreta, enquanto pediam a retomada de seus trabalhos, bem como isenção de taxas por parte do Governo do Estado.
Os motoristas se reuniram na Avenida Durval de Goés Monteiro, no Tabuleiro do Martins, em direção ao Palácio República dos Palmares, no centro da cidade.
Elias Fernandes, motorista de transporte escolar, informou que muitos da categoria vêm passando por dificuldades, pedindo, assim, que o Estado negocie com os trabalhadores, a fim de que não haja maiores prejuízos.
“Estamos passando fome, e o pior de tudo é que não vemos uma atitude do poder público para resolver esse problema. Não somos de badernas, mas foi preciso organizar esse ato, para que haja luta. O que pedimos, no entanto, é que o próprio governador abra uma linha de frente para que haja uma negociação, e as categorias voltem a trabalhar”, concluiu.