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SBI NÃO RECOMENDA USO DE CLOROQUINA CONTRA CORONAVÍRUS

Para infectologista alagoana, ainda não há nenhuma droga com eficácia comprovada no tratamento da doença

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Imagem ilustrativa da imagem SBI NÃO RECOMENDA USO DE CLOROQUINA CONTRA CORONAVÍRUS
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A postura pública do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em defesa do uso da hidroxicloroquina nos casos iniciais de Covid-19, e dele próprio após diagnosticado com a doença, não mudou a posição dos especialistas no País. Na sexta-feira (17), ao divulgar os recentes estudos sobre o tema, a Sociedade Brasileira de Infectologia recomendou a suspensão imediata de sua administração, mesmo nos casos de sintomas iniciais da doença.

Ontem, ao comentar a decisão, a experiente infectologista Luciana Pacheco lembrou que o tema ganhou repercussão mundial pela defesa feita pelo presidente americano, Donald Trump. Porém, o que havia norteado a posição foi um estudo francês que, meses depois, foi contestado pela comunidade científica e acabou sendo retirado do ar. Porém, não só nos EUA como aqui no Brasil, o tema já tinha tomado proporções que dividiram opiniões com base muito mais em política do que em ciência.

“Para ser bem sincera, a classe médica está bem divida. Estranhamente, nesta epidemia, todo mundo virou especialista. Até o presidente é o primeiro. Isso é estranho porque, desde sempre, as especialidades foram criadas para cuidar das doenças. A função da SBI é nortear protocolos que funcionem baseados na ciência. E neste período não foi detectada nenhuma eficácia nem com hidroxicloroquina, ivermectina e nenhuma droga na verdade. Nenhuma delas é inócua, ou seja, todas têm sua efeitos adversos. Além do que não vemos mudança no desfecho da doença. Independentemente da droga usada, melhora com ou sem ela”, explicou Luciana. Ela revelou, ainda, que desde a semana passada, depois que tomou a posição com base em elementos científicos, a SBI vem recebendo até mesmo ameaças. Entretanto, a maior preocupação do organismo é que o uso indiscriminado com pessoas alheias à própria classe médica prescrevendo o medicamente, ao invés de ajudar prejudique a saúde das pessoas. Luciana lembrou que somente agora surgiu uma nova pesquisa com base no uso de um anticorpo e que indicou a redução da carga viral. Isso teria sido conseguido com a combinação de retrovirais. “Mas, ainda assim, é um estudo único que precisa ser testado em um número maior de pessoas para que realmente se configure como algo importante. Efetivamente, não existe nenhum antiviral que mate o vírus”, completou Luciana. A prova de que os remédios que ficaram populares não têm eficácia é que, mesmo com orientação contrária, as pessoas estão se automedicando e continuam se contaminando. Luciana reconheceu que muita gente está prescrevendo, mas mesmo assim os números se elevaram. “É lamentável que outros profissionais médicos utilizem isso como verdade definitiva. Acho que é um perigo para a sociedade usar ivermectina de forma profilática e preventiva, deixando de lado outras medidas profiláticas, como usar máscara, manter o distanciamento e lavar as mãos”, completou a especialista.

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