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VACINAÇÃO EM MASSA SÓ DEVE OCORRER EM 2021, DIZEM MÉDICOS
Especialistas lembram que desenvolvimento de vacina envolve várias fases até produto estar disponível em larga escala
Mesmo com a notícia de que uma vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford pode ser o caminho para imunizar contra a Covid-19, médicos estão cautelosos e afirmam que é cedo para comemorar. Testes envolvendo mais de mil pessoas mostraram que a substância resultou na produção de anticorpos e células T, responsáveis pela defesa do organismo.
Para a infectologista Sarah Dellabianca, não está errado ser otimista neste momento, no entanto é preciso estar atento que há etapas a serem seguidas. “Uma vacina, quando começa a ser testada, precisa ser avaliada quanto à eficácia, que é a capacidade de o indivíduo ser exposto e depois não adoecer. Fazendo isso e ela sendo uma vacina segura, com raríssimos efeitos colaterais e sem danos para o paciente, aí ela vai para a fase de aprovação. Quando for aprovada, tem a produção em larga escala”, explica a médica.
Sarah Dellabianca, que é gerente médica do Hospital da Mulher, acrescenta que vem, em seguida, uma etapa importante que é a fabricação de vacinas em grande quantidade. “Depois, o governo tem que pagar por isso e vindo pelo programa nacional de imunização, que é a parte pública da vacina, provavelmente vão ser eleitos critérios de quem vai tomar essa vacina. Não virão 220 milhões de doses e ainda vão ser estabelecidas as doses”, explica.
De acordo com a médica, “na maioria das vezes, vacina para síndrome respiratória é uma dose só, como a gripe, mas está muito cedo para dizer. Ainda que hoje, digamos, terminaram as testagens para a vacina e está liberada, a gente ainda vai ter uma programação de produção de meses. A vacina seguramente ficará pronta, não digo o resultado da pesquisa. Mas para a comercialização, e chegar aos postos de saúde, acredito que só no ano que vem”, completa Sarah.
Mesmo com a boa notícia que aponta a descoberta de uma vacina promissora, é preciso lembrar que o vírus continua circulando. “Não podemos esmorecer. Quando a vacina estiver disponível nos postos de saúde, eu acredito que o programa nacional de imunização colocará os critérios, como a imunização de profissionais de saúde, idosos, crianças, pessoas com condições especiais, como asma, doença pulmonar, ou seja, ficará uma fatia grande de pessoas desassistidas de vacina”, reforça a infectologista. A médica Sarah não descarta que a pandemia do novo coronavírus dure mais de um ano. Não tem como prever. “A população está ficando muito desatenta com a mudança de fases. A mudança de fase não é a liberação para viver à toa. Tem que manter distanciamento, higiene das mãos. A gente também tem esperança na vacina brasileira porque a produção é local, só que isso não é muito o fomento financeiro do governo. Fica o contrassenso, já que o governo federal acredita que a cloroquina é a solução. É preciso olhar para a pandemia. É uma fatalidade mundial. É um ano para sobreviver e não para planejar as viagens e fazer compras”, finaliza a infectologista. “Ainda é cedo, mas sem dúvida é uma grande promessa que abre uma luz para o controle definitivo da doença. Acredito que para vacinação em massa este ano ainda não, mas acho que ano que vem teremos. É preciso ressaltar que o vírus continua circulando sim, mas perdendo força como temos observado aqui em Maceió”, declara o médico Artur Gomes Neto, diretor médico da Santa Casa de Maceió.