Cidades
AVANÇO DA COVID NO INTERIOR AINDA NÃO IMPACTA OCUPAÇÃO DE LEITOS
Boletins mais recentes da Sesau mostra que vagas ocupadas oscilam entre 35% e 40%
O avanço da Covid-19 no interior do Estado continua elevado no que se refere à transmissão, porém com um controle no que se refere à ocupação de leitos. Entre abril e maio, ela chegou a passar de 80% e, conforme os últimos dados dados, oscila entre 35% e 40% para leitos comuns e com respirador, tanto na capital como no interior. No momento, o último Boletim Epidemiológico aponta que, dos 1.326 leitos criados, 457 estavam ocupados até a terça-feira, ou seja, 34% do total. Os números revelam ainda que são 159 pacientes em leitos de UTI (intubados) e com permanência média de 10 a 20 dias e com um percentual de óbitos de 60% a 85%. Outra informação é que há 8 pacientes em leitos intermediários e 290 em enfermaria. Conforme apontam os dados, em um mês os pacientes de leitos intermediários tiveram uma queda de mais de 30% e consequentemente são pacientes que não evoluíram para UTI. De acordo com a própria secretaria, a melhora entre os pacientes intermediários tem ocorrido em até cinco dias, o que acaba favorecendo para que concluam o tratamento em casa. Sobre esses atendimentos, de modo geral, correspondem à maioria dos casos detectados. No momento, 5. 943 pacientes estão tendo o chamado acompanhamento domiciliar. Então, significa dizer que a doença está presente, o vírus continua contagiando, por outro lado os casos testados e diagnosticados em sua maioria não têm evoluído para situações graves. E os que necessitam de atendimento especializado diário, em unidades, contam com estrutura das cidades existentes ou criadas. Segundo informa a Secretaria Estadual de Saúde, o que ocorreu foi que, ao passo em que a doença foi se alastrando, o Estado foi criando as condições de garantia de atendimento. Houve ainda uma mudança de foco no acompanhamento e medicação na fase inicial, fazendo com que os quadros evoluíssem para o estágio mais grave da doença. Por isso, mesmo com uma taxa média de óbitos na casa dos 32% para pacientes abaixo dos 40 anos, ela corresponde à fase mais aguda, enquanto, no momento, as mortes têm se concentrado para pessoas com quadros clínicos do chamado grupo de risco, principalmente obesos, diabéticos, hipertensos e com demais doenças crônicas. A Sesau e o próprio Renan Filho (MDB) alertam que isso não quer dizer que há controle, até porque se há contágio é porque existem pessoas vulneráveis. Mas também indica que é possível ter uma postura de controle desde que haja comportamento preventivo e que se obedeça às orientações sanitárias. O ponto vulnerável e pouco abordado pelos técnicos é a baixa testagem. O governo só consegue garanti-la para quem apresenta sintomas e procura a rede pública. Vale lembrar que os que recorrem à rede privada também são notificados, porém não estão descartadas eventuais subnotificações. E é justamente pela falta de testagem geral que não é possível, no caso de Alagoas, definir o percentual médio aproximado de pessoas infectadas no momento, já que os casos assintomáticos - pessoas que têm a doença mas não sentem nenhum sintoma correlato - também são grandes em todo o País, conforme especulam especialistas. Por isso, para os infectologistas alagoanos, mesmo que os números indiquem uma redução no crescimento exponencial da doença, ele se refere a uma parcela de pessoas que foram infectadas, mas não incluem a imensa maioria que se resguardou obedecendo ao isolamento social e que agora começa a circular em ambientes públicos. Ou seja, entre a massa que ficou exposta e se contaminou com efeitos clínicos ou sem sintomas, o Estado até conhece parcialmente os números, mas está obscuro o que virá, justamente, com a retomada do setor econômico. Logo, as próximas semanas, incluindo a primeira quinzena da primeira mudança de fase é que vai determinar como está a situação da doença e seu contágio. Em todo o país, porém, a situação é variável. Nos estados onde há tendência de estabilização e queda, como o caso de Alagoas, o índice de contaminação está oscilando de 1 para 1, ou até menos em alguns casos. Quando o crescimento era exponencial era de 1 para 4. Por isso, como parte do controle se dá com eficácia a partir das medidas de segurança, o governo pretende aumentar os critérios de fiscalização em ambientes públicos. O problema é que o alcance do Estado é limitado no que se refere à presença das forças de repressão, leia-se polícia, sendo fundamental a colaboração de lideranças comunitárias, de segmentos econômicos e do próprio cidadão.
A maior preocupação é que, com o anúncio da abertura econômica, parte da população acredita na falsa ideia do “já ganhou” e se descuide. Tanto que a decisão para a mudança da fase amarela só sairá em 15 dias. Ao mesmo tempo, não se tem ideia de quando poderá se falar no retorno das aulas nos moldes antes da pandemia.