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Cidades

MÉDICOS DIZEM NÃO SOFRER PRESSÃO PARA PRESCREVER REMÉDIOS

Sindicato e Conselho Regional de Medicina não registram reclamações sobre uso de medicamentos no combate à Covid

Por william makaisy | Edição do dia 01/08/2020 - Matéria atualizada em 31/07/2020 às 21h46

A pandemia do novo coronavírus, ao mesmo tempo em que traz uma corrida científica inédita na procura de uma vacina, também fez aumentar o número de pessoas se automedicando e procurando medicamentos milagrosos sem eficácia comprovada. Segundo uma pesquisa da Associação Paulista de Medicina (APM), com quase 2.000 médicos no Brasil, 48,9% relataram pressões de pacientes ou parentes para prescrever remédios sem comprovação científica. Contudo, na contramão de outros estados brasileiros, em Alagoas os médicos relatam não se sentirem pressionados por pacientes. As diversas notícias que são constantemente difundidas a respeito de possíveis medicamentos sendo testados para o combate à Covid-19, assim como as constante alegações do presidente Jair Bolsonaro sobre o uso da hidroxicloroquina e a cloroquina no tratamento da doença, têm feito muitos brasileiros procurarem remédios milagrosos e que não possuem qualquer eficácia médica comprovada no combate à doença provocada pelo novo coronavírus. Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed/AL), Marcos Holanda, a prescrição de medicamentos em Alagoas sempre será daquilo que o paciente está precisando. “Eu não sei que radicalismo é esse. Parece ser mais uma questão política tendo em vista toda a situação. Porém, comigo isso não funcionaria, eu prescrevo apenas aquilo que acredito que seja ideal ao meu paciente. Se eu não acredito ou não vejo comprovação de eficácia em algum medicamento, eu não vou recomendá-lo a ninguém”, pontuou. “É simples: se o paciente ou algum parente mais ‘radical’ quiser pressionar não vai mudar nada, tenho a responsabilidade de não recomendar o que não acredito que faça bem. Agora, se o paciente em questão não se sentir bem com as recomendações ele pode procurar outro médico que compactue com as escolhas dele e possua a mesma crença em medicamento X ou Y.” O médico relata que já ouviu casos semelhantes no Estado, mas nada tão grave, uma vez que nenhum médico chega a ceder. Ele também conta que não chegou nenhuma reclamação oficial ao Sinmed/Al, o que leva a crer que a situação não seja recorrente ou séria no estado. Holanda diz que pode acontecer de pacientes pedirem medicamentos X, mas, depois da explicação do médico, nenhum chega a insistir ou pressionar para que ele concorde.

CREMAL

Foto: Reprodução
 


O presidente do Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal), Fernando Pedrosa, informou não ter conhecimento de casos em Alagoas de médicos pressionados por pacientes ou seus parentes. “Desconheço qualquer relato de médicos sofrendo pressão de pacientes. Nenhuma queixa oficial foi feita ao Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal). Sobre qualquer tipo de medicamento eu acompanho a decisão do Conselho Federal de Medicina (CFM)”, disse.

INFECTOLOGISTA

Foto: Cortesia
 


A médica infectologista Raquel Guimarães, especialista em infectologia hospitalar, contou que já foi procurada para prescrever medicamentos que não possuem eficácia comprovada. “Já fui procurada muitas vezes por pessoas do meu convívio e por colegas de outras especialidades a respeito de medicação prescrita e sem comprovação científica. Expliquei meu posicionamento frente a isso, mas não interferi nas medicações que já estavam em uso”, relatou. “A decisão de levar um medicamento, qualquer que seja ele, da palma da mão ao estômago é exclusiva do paciente. A responsabilidade de fazê-lo depende, no entanto, de haver ou não respaldo dado pela opinião do médico ou de algum outro profissional de saúde”, salientou a médica. Contudo, a infectologista relatou também que alguns grupos de profissionais de saúde são a favor do uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra o coronavírus. “Aqui em Alagoas, como em todo o País, existem grupos de profissionais médicos que se colocam a favor do uso de medicamentos sem comprovação científica para tratamento de pacientes com suspeita da infecção pela Covid-19 ou aqueles já confirmados pelo RT-PCR. A Sociedade Alagoana de Infectologia, da qual sou membro efetivo recebeu, inclusive, ameaças graves de pessoas desses grupos”, disse.

SESAU

O assessor de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), Nigel Santana, informou que, no que diz respeito ao uso de medicamentos no combate ao novo coronavírus, segue em vigência a portaria publicada no mês de abril, a qual estabelece que o uso de qualquer tipo de medicamento é feito seguindo com base no acompanhamento técnico do Ministério da Saúde e da Sociedade Alagoana de infectologia. Na Portaria Nº. 3.264 consta a recomendação de uso da cloroquina/hidroxicloroquina em pacientes extremamente graves que estão em tratamento após contaminação pelo novo coronavírus que causa a doença Covid-19. Apesar de a portaria liberar o uso em determinados casos, a Sesau reitera, que por ser uma droga cuja utilização no tratamento de Covid-19 ainda é objeto de estudos de eficácia e segurança, recomenda-se a assinatura do termo pelo paciente ou pelos responsáveis legais, de consentimento livre e esclarecido. * Sob a orientação da editoria de Cidades

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