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Cidades

FAMÍLIAS RELATAM ROTINA COM IDOSOS

Cuidados com higiene são redobrados, principalmente para os que têm outros fatores de risco, como diabetes e hipertensão

Por greyce bernardino | Edição do dia 01/08/2020 - Matéria atualizada em 31/07/2020 às 21h49

A preocupação com os idosos tomou conta da sociedade desde os primeiros anúncios de disseminação do novo coronavírus pelo mundo. Mas, para manter pessoas da terceira idade em casa, é preciso se atentar para garantir um ambiente seguro e saudável para enfrentar esse período de isolamento social. A família de Maria Cavalcante, de 92 anos, está ciente disso e vem redobrando os cuidados com a idosa, que é acamada, após ser vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). “A minha vó é natural da cidade de Paulo Jacinto [interior de Alagoas] e viveu praticamente a vida toda lá. Teve quase 20 filhos, mas a maioria morreu no parto, ficando 11 vivos. Teve uma vida simples. Ela veio morar em Maceió com a maioria da família e, depois de alguns anos, sofreu um AVC total na porta da minha casa. Ela morava no Bebedouro e ia muito na minha casa visitar a mim e ao meu irmão. Eu tinha três anos. Depois disso, ela ficou em coma no hospital, perdeu os movimentos dos membros e a fala, além de que passou a comer apenas por uma sonda no estômago”, relatou a neta de Maria, Rayssa Cavalcante. A idosa mora com a filha e dois netos. Rayssa, logo em seguida, completa: “Ela também respira com a ajuda de uma traqueostomia. Em 2020, completa 20 anos acamada devido ao AVC. Com o passar do tempo, fazendo fisioterapia, voltou a ter poucos movimentos em uma das pernas e em um dos braços. A gente não sabe se ela perdeu a memória ou se não reconheceu os familiares após o AVC, mas, se esse fosse o caso, acreditamos que ela aprendeu a conhecer todo mundo de novo”. Rayssa também falou sobre a rotina com a avó: “Antes os cuidados eram maiores, logo quando ela sofreu o AVC. Eram várias consultas médicas, medicamentos. Hoje em dia é algo mais diário. Damos banho nela todos os dias e lavamos o quarto. E usa fralda, então trocamos pelo menos quatro vezes ao dia, assim como a alimentação. Ela come uma espécie de ‘gogó’, com um leite específico. Mantemos uma atenção redobrada na cânula da traqueostomia para não tapar. Com a pandemia, a gente evita entrar no quarto, já que ela é do grupo de risco, as pessoas de fora da casa só entram no quarto de máscara e deixamos um álcool no local para a higienização das mãos”. Com a pandemia, Rayssa diz que os cuidados com a avó aumentaram. “O novo coronavírus é uma doença invisível e de difícil combate. A gente não sabe se, caso a pessoa se contamine, o vírus vai vim mais forte ou mais fraco. Mas, independentemente disso, como tentar não passar para os moradores da mesma casa, incluindo uma idosa, que faz parte do grupo de risco. É complicado. Então, no nosso caso, a gente evita ir no quarto, higieniza sempre as maçanetas e mãos na hora de trocar a fralda ela. A gente também pede que as pessoas venham de máscara e limpem as mãos. No início da pandemia em Alagoas, ela começou a ter febre, deixando a gente assustado. Graças a Deus foi só febre e sem relação com a Covid-19”, falou. Sthefane Ferreira também vem tomando todos os cuidados com a sua avó, que mora com ela. Maria Benedita Ferreira dos Santos, de 70 anos, é hipertensa e diabética, morbidades que preocupam sua neta. “Ela faz o uso de diversos medicamentos e já fez o uso de insulina por anos. Mas no momento usa somente remédios de uso controlado diariamente. Antes ela ia ao médico a cada 2/3 meses pelo menos, mas depois da pandemia ela não tem ido com frequência”. “Com a pandemia, passamos a fazer a higienização de todos os alimentos antes de guardá-los. As frutas lavamos com água e sabão, e os industrializados, fazemos a limpeza com álcool em gel. Além disso, usamos sempre máscara quando estamos perto dela”, acrescentou. A rotina de cuidados é levada a sério, visto que Sthefane já teve Covid-19 e, agora, sua mãe foi diagnosticada com a doença. “Como agora minha mãe testou positivo, eu e minha irmã estamos cuidando da minha avó, auxiliando ela nos medicamentos e fazendo algumas coisas que ela pede. Mas ela é muito ativa, e sabe quais os remédios precisa tomar, além de cuidar da casa. Já quando eu peguei a doença, fiquei isolada por 14 dias, no quarto. Fiquei tendo contato apenas com minha mãe, que me entregava roupas e alimentos por uma janela. Mesmo quando sai do isolamento ainda passei alguns dias longe da minha avó para garantir que ela não se contaminasse”.

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