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Nº 5691
Cidades

T�cnico denuncia perda de 60%

ROBERTO VILANOVA Salvador - O presidente da  Confederação Nacional dos Conselhos de Engenharia, Arquitetura e Agronomia –  Confea – Wilson Lang, denunciou o alto índice de perda de água  potável no País. “Perdemos 60%  da água destinada ao consumo h

Por | Edição do dia 31/03/2002 - Matéria atualizada em 31/03/2002 às 00h00

ROBERTO VILANOVA Salvador - O presidente da  Confederação Nacional dos Conselhos de Engenharia, Arquitetura e Agronomia –  Confea – Wilson Lang, denunciou o alto índice de perda de água  potável no País. “Perdemos 60%  da água destinada ao consumo humano”, disse, durante o Seminário de Meio Ambiente e Energia, realizado na semana passada no Hotel Catussaba. “Para você ter uma idéia, o menor índice de perda foi registrado em Brasília, com 45% de desperdício”, acrescentou, apontando os equipamentos obsoletos, os desvios (gatos), a falta de educação dos consumidores e a omissão dos governos municipais, estaduais e federal, como causas das perdas. Os riscos O presidente do Confea culpou também a cultura que levou a todos a acreditarem na infalibilidade dos recursos naturais. “Isto, no entanto, não foi um erro exclusivo nosso; é internacional, toda a humanidade pensou nisso, acreditou que os recursos naturais jamais iriam se esgotar. Hoje, sabemos que isto foi um grave erro, cujas conseqüências já estamos pagando”. Ele citou o exemplo do Brasil, que possui quase 20% da água do Planeta, mas enfrenta problemas internos com a falta d’água nas grandes cidades. “Por que isso ocorre? Porque a água é mal distribuída em nosso País. Imagine que 70% da água de que dispomos encontra-se na Região Norte, na Amazônia, onde vivem menos de 10% da população brasileira”. Os riscos que a população brasileira corre, de ficar sem água, mesmo dispondo de extenso manancial, foram considerados como inadmissíveis pelo presidente do Confea. “Mas estes riscos já não são simples ameaças; são realidades que as cidades grandes já enfrentam – São Paulo por exemplo. E isto ocorre porque os 30% dos mananciais do País abastecem mais de 90% da população”, completou Lang. O presidente do Confea falou também sobre o Nordeste, apontando o semi-árido como a região onde os problemas são – e serão – mais graves com a crise da oferta de água. “Não estou dizendo que o Nordeste não tem água; o que digo é que a água não está na boca ou ao alcance fácil do povo. Esse é o problema”. Relatório Sobre as perdas de água provocadas pelo sistema obsoleto ou ineficiente, Lang isentou de responsabilidade os engenheiros responsáveis pelos projetos e culpou os governos, que decidem sempre pelo que é mais barato. Embora reconhecesse que muitos dos que servem ao governo e decidem sobre os projetos são engenheiros, sustentou que esses não tem poder para barrar a obra. Durante o Seminário de Meio Ambiente e Energia, promovido pela Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj – em Salvador, os números da Organização das Nações Unidas chamaram a atenção pela gravidade do problema da falta d’água no mundo. Segundo a ONU, a estatística é preocupante: 1,1 bilhão de pessoas não têm água potável em casa. E segue: 2,5 bilhões não têm saneamento e 5 milhões de pessoas morrem por ano devido ao consumo de água contaminada. O presidente do Confea alertou para essa realidade e disse que a posse pelas fontes d’água será motivo de guerras no Oriente Médio e na África.

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