Pandemia
REABERTURA DE LOJAS AGRAVA SITUAÇÃO DE CAMELÔS DE MACEIÓ
Com retomada gradual do setor, autônomos viram no auxílio emergencial única forma de sobreviver
Quem não tem emprego formal, como os vendedores ambulantes, sentiu e ainda sente o impacto da pandemia. Sem clientes na rua, não tem lucro. Com a retomada gradual desse setor, autônomos viram no auxílio emergencial a única forma de conseguir pagar o essencial até que os dias de normalidade voltem. O benefício financeiro é destinado a uma grande parcela de brasileiros como medida de enfrentamento à crise causada pela Covid.
“Ainda está dando para levar, mas diminuiu muito a clientela. Tive uma melhora pouca com a abertura das lojas do Centro, mas, sem dúvida, continua muito ruim”, conta Fátima Alves, vendedora de frutas e verduras no Centro, em Maceió. “A nossa situação não melhorou muito não, depois dessa pandemia caiu demais as vendas para quem vive como camelô, acho que metade do que eu vendia antes. Ainda bem que teve o auxílio emergencial, se não fosse não sei como seria”, completa Paulo Alves Bezerra, camelô que atua há 7 anos na Praça dos Palmares.
“Nós temos uma parcela muito grande de alagoanos que sobrevive desse tipo de atividade. O grande público-alvo do autônomo está no comércio e, sem as pessoas circulando, houve a drástica redução de faturamento. Sem contar que têm outros elementos que precisam ser levantados e um deles é o acesso ao dinheiro. Muitos empresários não tiveram acesso a programas. Tem a diminuição da procura do produto e mesmo quando volta parte das atividades, não volta na mesma medida porque muitas pessoas ficam com medo de ir às ruas. O que a gente orienta é que precisa ter controle efetivo da entrada e saída de dinheiro. Fazer novas projeções. O cenário mudou”, declara o economista Jarpa Aramis.
A situação também não está fácil para Cláudio Matias, que vende bonés no centro de Maceió. “Passei um tempo parado e voltei a trabalhar. Tivemos uma caída nesses dias, mesmo com a abertura do comércio”, explica. Outros camelôs informaram que desde que as lojas reabriram, o lucro que já era pouco, reduziu ainda mais. É que agora os alagoanos – ainda poucos - que voltaram a comprar preferem lojas do Centro e do shoppings, segundo eles.
“Sou defensor de uma renda básica universal. Sobre a importância do auxílio emergencial, vemos que são 1,1 milhão de famílias que receberam e que estão cadastrados no sistema cerca de 1,65 milhão de pessoas. Isso dá um aparato, um suporte à família, garante o básico. O auxílio deveria ser muito mais amplo e de caráter permanente”, explica o economista Jarpa Aramis.