Cidades
Sertanejo planta e colhe banana na caatinga
MAIKEL MARQUES Sucursal Arapiraca ? Muito antes de o governo do Estado cogitar a implantação de projeto de irrigação para incentivar a produção de frutas e verduras no povoado Olho D?Aguinha (Delmiro Gouveia), há pelo menos três anos, um solitário sertanejo da região prova que, do horizonte de penúria e fome no sertão das Alagoas, também brotam frutas e verduras que poderiam não ser importadas de Pernambuco, Sergipe e Bahia. ?Se houvesse interesse oficial, há muito tempo o plantio de frutas e verduras no meio da caatinga seria realidade e não um sonho distante?, diz o produtor Antônio Moreira dos Santos, o homem que pegou emprestado R$ 30 mil num banco oficial, desfez-se de alguns bens e investiu tudo (inclusive coragem) em equipamentos para irrigar terreno de três hectares, onde produz até cinco milheiros de banana por semana. Contraste Antônio deu início ao pequeno projeto de irrigação em 1999, época em que instalou, à beira do São Francisco, uma bomba movida a óleo diesel para captar a água que percorre os 2.200 metros de canos que a separam de tanque no qual deposita 300 mil litros de água para irrigar a plantação, que contrasta com o horizonte acinzentado da caatinga devastada pela seca. Sem qualquer assistência técnica, ele colheu os primeiros frutos três anos atrás. A produção é de até cinco milheiros de bananas, que são revendidas no centro de Delmiro Gouveia, município que importa da Bahia mais de 200 mil bananas por semana para atender à demanda de seus consumidores. ?Tudo vem de fora, mas poderíamos produzir aqui. Tá aí a prova de que irrigação pode mudar nossa vida?, afirma o sertanejo, que vem testando o plantio de melancias, mediante processo de irrigação por gotejamento. Desinteresse? Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Delmiro, Antônio Sandes, parece não haver interesse oficial em desenvolver projetos de irrigação na região. ?O município tem 40 quilômetros de terras às margens do Rio São Francisco. Não há irrigação oficial e sim pequenas iniciativas particulares?, afirma Sandes. O sindicalista utiliza a expressão ?chupando dedo? para descrever como se sente ao ver a viabilidade e o sucesso de projetos de irrigação do outro lado do São Francisco, nos estados de Pernambuco, Sergipe e Bahia. ?Eles se preocupam, agora, com a exportação de sua produção enquanto ficamos à míngua e chupando dedo diante de promessas e projetos que nunca saíram do papel?, protesta.