loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

Adutora inacabada aumenta mis�ria no Sert�o

Ouvir
Compartilhar

MAIKEL MARQUES Sucursal Arapiraca ? A guerra diária pelo líquido que jorra de improvisada torneira é a única possibilidade de ingestão de água potável para as 150 famílias do Assentamento Nova Esperança, em Olho D?Água do Casado. A deprimente cena poderia não mais se repetir, caso a construção da adutora que possibilitaria a implantação do primeiro grande projeto de irrigação do Sertão, a partir da captação de líquido do São Francisco, tivesse sido concluída dois anos atrás. ?Consumiu mais de R$ 4 milhões e nunca trouxe uma gota de água sequer para matar nossa sede?, denuncia Iranildo Oliveira, líder do MST na região. O elefante branco a que se refere o assentado tem nome: Adutora de Uso Múltiplo. Trata-se de obra viabilizada mediante convênio nº 1166/2000, firmado entre os governos Estadual e Federal. Obra orçada em R$ 4 milhões e 246 mil, deveria ter sido concluída nos primeiros três meses de 2000, o que ainda não aconteceu. Sem ligação ?O mais difícil foi feito e abandonado no meio da caatinga?, denuncia Iranildo Oliveira, referindo-se aos dois principais prédios da obra. O primeiro deles está fincado à margem do São Francisco e próximo à Hidrelétrica de Xingó. Nele, seriam instaladas bombas para captação de água e conseqüente envio ao segundo prédio, uma imensa caixa d?água de concreto armado abandonada no alto de uma serra. As bombas nunca chegaram ao local de captação e os quatro quilômetros de canos enterrados no solo ligam o nada a coisa alguma. E a obra ainda não irriga um palmo sequer de terra do grande projeto de irrigação transformado num monumento ao desperdício do dinheiro público. Para amenizar o sofrimento de sua gente, Iranildo Oliveira vendeu alguns pertences e investiu o arrecadado em dois quilômetros de encanação ? que transporta água de rede à margem da AL-220 ? na extremidade da qual instalou uma rudimentar torneira de plástico, disputada a tapas pelas 150 famílias do Nova Esperança. Briga ?Consegue água quem chega primeiro?, explica um dos assentados. Além da falta de água encanada, o assentamento também não dispõe de luz elétrica. Centenas de postes de concreto foram fincados no centro das três vilas, mas a fiação com potencial energético ainda não foi instalada.

Relacionadas