Cidades
ESCOLAS PARTICULARES ALEGAM ESTAR ‘AGONIZANDO’
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Uma comissão formada por proprietários de escolas particulares, em Maceió, busca uma reunião com o governador de Alagoas, Renan FIlho (MDB). Os donos de instituições de ensino alegam que estão enfrentando dificuldades financeiras e clamam por um auxílio por parte do governo estadual.
De acordo com uma das organizadoras da comissão, psicopedagoga e proprietária de escola particular, Alexandra Gregório, as instituições de ensino privado 'estão agonizando'.
"Já registrei 50% de cancelamento e tenho 30% de inadimplência. Atualmente, só tenho oito funcionários, todos professores, que ainda estão dando aulas on-line. Os demais profissionais, dos setores administrativo e de gerais, foram dispensados e eu estou cumprindo com as tarefas. Outros colegas e participantes da comissão também alegam necessidades", contou a empresária.
Alexandra diz ainda que só não pensou em fechar as portas devido aos alunos, pais e professores, que ainda colaboram com a unidade de ensino. "As contas estão acumuladas. Só chega conta para pagar. Está bem complicado. Antes do fechamento, eu conseguia arcar com todas as contas. Era tranquilo, ficava tudo em dia".
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Com relação à situação financeira, a psicopedagoga pede para que o governo do Estado olhe para a categoria e diz entender que o momento pede cautela. "A gente pede que o governador olhe para o setor para ajudar os pequenos e microempresários, porque está ficando cada vez mais difícil. Estamos tentando segurar o que a gente tem de funcionário, mas está cada vez mais difícil manter o número de funcionários na escola. Nosso medo é aumentar o desemprego, pois sem dinheiro não temos como pagar os funcionários".
Ainda conforme Alexandra, a ajuda financeira seria relevante para que o setor conseguisse um fôlego e alega que as instituições financeiras pedem uma garantia [um bem material] para poder liberar o empréstimo.
"Queremos que governo nos escute e abra uma pauta pra gente, que ajude o setor financeiramente. A gente entende a questão de não ter como abrir, é plausível, mas que ele olhe para o setor, crie um programa e que, além de chamar os sindicatos e as escolas grandes, chame a representação das escolas pequenas e médias também, que são as que estão sofrendo mais", reforçou Alexandra.
Sobre uma possível retomada, a comissão diz que, com o apoio da Associação Comercial, através de um curso gratuito de adaptação para o novo normal, as escolas afiliadas estão recebendo orientações de como se readequar para a possível volta às aulas.
A empresária Mayara Freitas, que é formada em Letras e proprietária de uma escola de pequeno porte, que atende Educação Infantil (2 a 5 anos) e Ensino Fundamental 1, diz que também está enfrentando dificuldades.
"Fechamos no dia 17 de março, conseguimos dois meses de salário integral, no caso um salário mínimo, um mês de 70% e mais um mês de 70%, só que, esse segundo mês, veio com menos 14 dias, devido ao dia que saiu o decreto que daria mais 30 dias de auxílio", disse Mayara.
Atualmente com três funcionárias e poucos alunos, a pedagoga teve que ofertar 30% de desconto aos alunos para poder sobreviver com as portas abertas. "Minha mensalidade é de R$ 200,00, baixou para 140 reais. Mas, como teve o auxílio, estava dando pra levar. Só que, agora, se não abrir em setembro não teremos como pagar FGTS, INSS, a folha das duas funcionárias, água e luz", conta.
A inadimplência também faz parte da rotina da escola. Mayara conta que conseguiu manter os alunos matriculados, mas perdeu alguns.
Sobre a possível retomada, Mayara revela que algumas escolas já estão se equipando. "Sabemos do risco. Eu sou do grupo de risco, moro com meu pai que é de risco, mas preciso pagar as contas".
A Gazeta entrou em contato com a assessoria do governador, que encaminhou para a assessoria do secretário do Gabinete Civil, Fábio Farias, que coordena o Gabinete de Crise da Situação de Emergência (GCSE) para combate ao coronavírus no estado de Alagoas, e, por sua vez, informou não ter conhecimento do pedido para reunião.
A reportagem tentou contato com o Sindicato das Escolas Particulares de Alagoas, mas até o fechamento da edição não obteve retorno.