Cidades
ADOLESCENTES COMEÇAM A TROCAR QUARENTENA PELO PERIGO NAS RUAS
Para Organização Mundial de Saúde, jovens podem se tornar vetores de contaminação do novo coronavírus
Potenciais transmissores da Covid-19, adolescentes alagoanos cada vez mais estão trocando a segurança da quarentena pelo perigo de contaminação nas ruas. Especialistas alertam sobre os desafios enfrentados pelos jovens e os efeitos negativos que podem ser gerados nessa busca por liberdade.Na última semana, Alagoas ultrapassou cinco mil infectados pelo novo coronavírus que tinham menos de 19 anos de idade, cerca de 7,5% do número geral de casos, que já se aproximava de 71 mil. Um grupo que cresce a cada dia e é potencialmente transmissor da Covid-19. A Organização Mundial de Saúde (OMS) já alertou para essa situação: jovens podem se tornar vetores de contaminação do vírus.
“Quando dizemos que a maioria das pessoas tem sintomas leves e se recuperam, é verdade, mas não sabemos quais serão os impactos prolongados em todos os infectados. Embora essa doença pode ser leve a moderada, ela pode afetar vários órgãos e pode ter efeitos de longo prazo. Talvez você seja saudável e jovem, mas você pode passar o vírus para um idoso, uma pessoa com doenças”. A citação veio de diretores da OMS, no mês passado, após perceberem o avanço da doença nesse público em várias partes do mundo.
Na avaliação de Fabiana Bitu dos Santos, psicóloga Hospitalar da Unimed Maceió, para os mais jovens, “perder” a liberdade ainda que temporariamente, deixando de encontrar amigos, frequentar escola, trabalhos, tem sido desafiador. “A pandemia tem causado efeito profundo nessa população com questões ligadas à saúde mental. Sofrendo com a perda da rotina é necessário criar estratégias que possibilitem estabelecer uma nova, dentro das possibilidades impostas pelo novo coronavírus”, explica. De acordo com a psicóloga, os jovens precisam compreender que podem ser atingidos e que esse comportamento pode significar salvar vidas ou custar vidas. “Os pais possuem papel fundamental neste período. Precisam estar atentos aos comportamentos dos filhos e através de exemplos reais, ilustrar os riscos. O isolamento social precisa ser fundamentado para que os filhos percebam a importância e necessidade de cumpri-lo”, afirma. Fabiana acrescenta que promover conversas e fazer atividades em família são alternativas excelentes para estabelecer relações mais afetivas, estreitando os laços já existentes.
MEDO E ROTINA NA PANDEMIA
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O adolescente Guilherme Azevedo Marques, 15 anos, diz que não tem medo da Covid-19, mas que mesmo assim não se descuida. “Não tenho medo, pois por conta da minha idade e dos meus hábitos de exercício físico e alimentação, sei que se eu pegar não será algo que me deixará fraco ao ponto de correr algum risco muito grande”, diz o estudante do ensino médio. A Gazeta pergunta ao adolescente o que mais mudou na sua rotina após o início da pandemia, em março. “O hábito escolar por conta da adaptação do EAD, também a rotina de exercícios que tive que fazer uma migração para os exercícios em casa”, declara. E se tem visto amigos seus “furando” a quarentena para ir passear, festas ou viajar, Guilherme, um jovem comunicativo, explica que recentemente, com a flexibilização da quarentena, e também o uso de máscara, começou a sair de casa. “No pico da doença fiquei totalmente em casa”.
Aos 18 anos, João Victor Castro afirma não temer a Covid, pois vê o vírus como qualquer outra doença, que apenas devemos tomar os devidos cuidados. Desde o início da pandemia, segundo o estudante universitário, tem visto apenas os amigos saindo para praticar atividade física na orla ou em encontros de no máximo três pessoas, sem aglomerações. “Minha vida mudou porque não estou mais estudando no mesmo ritmo de antes, pois a Ufal ainda não aderiu ao ensino a distância, e raramente vejo meus amigos, apenas em coincidências quando vou praticar exercício físico na orla. Também aumentou a quantidade de horas que passo utilizando o computador e o celular”, explica o estudante de Engenharia Civil da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
Beatriz Alcântara de Melo Ferreira, 16 anos, confirma ter medo da Covid já que os casos continuam avançando. “Tenho medo sim, pois ainda não temos uma vacina e o isolamento social não está sendo completamente respeitado, aumentando o risco de contaminação”. E sobre o que mais mudou na sua rotina, com a pandemia, diz não estar mais saindo de casa, desde março. “Tenho aulas online durante toda a semana, além de provas e trabalhos. Em todo esse tempo não saí de casa nenhuma vez”, conta a adolescente. A Gazeta pergunta se Beatriz tem visto amigos aproveitando o período para passear, ir a festas ou viajar. “Sim, muitos acabaram furando a quarentena recentemente por falta de planejamento e controle do isolamento. Enquanto alguns ainda continuam na quarentena”, finaliza.
Evelly Martins completará 15 anos no próximo dia 19 e já sente o impacto de uma pandemia na sua rotina. “Sim, eu tenho medo de pegar a doença e também tenho medo de que pessoas próximas e queridas a mim peguem. Até porque ainda não existe uma vacina 100% eficaz contra a Covid-19. Mudou bastante coisa na minha rotina, mas, com certeza, a que mais me afetou foi a forma de aprendizado escolar. As aulas online não são tão boas quanto as presenciais. Por isso, acredito que vou sair esse ano sem absorver por completo muita coisa que eu poderia ter aprendido”, analisa. Mesmo sem participar de eventos e encontros com os amigos, percebe a mudança de comportamento de adolescentes como ela. “No início da quarentena não percebi tanto. Mas de uns 2 meses pra cá, sim. Vários colegas reunidos em praias, viajando e até mesmo fazendo festinhas dentro de casa com muitas pessoas”, diz Evelly.
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