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MAIS DE 70% DOS ÓBITOS EM AL SÃO ENTRE IDOSOS

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Entre os mais de 1.700 óbitos causados pela Covid-19 em Alagoas, a maioria dos casos se encontra entre os idosos. De acordo com os dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) na sexta-feira (14), a faixa etária onde há mais casos é dos 70 aos 79 anos de idade (25% do total), principalmente entre homens. A faixa etária dos 60 aos 69 representa 24% dos óbitos. Na distribuição geral dos casos entre idosos do sexo masculino e feminino, ou seja, aqueles alagoanos acima dos 60 anos de idade, cerca de 42% dos óbitos pela Covid-19 entre idosos eram de mulheres (524 casos). Já aqueles do sexo masculino representam quase 58%, com 716 casos contabilizados. Já entre os jovens e as crianças, sendo contabilizados dos 10 anos de idade até os 29, o estado tem 39 óbitos confirmados, sendo o maior número entre o sexo feminino. A faixa etária com o maior número de casos é dos 20 aos 29 anos de idade.

SISTEMA IMUNOLÓGICO MAIS FRÁGIL

Segundo o infectologista, Marcelo Constant, o número de óbitos entre idosos é preocupante e simboliza a fragilidade que esse grupo tem em comparação aos demais. “Como sabemos desde o começo da pandemia, existem grupos de risco para a Covid-19, assim como para qualquer outra doença. Nesse caso, os mais velhos, por conta da fragilidade no sistema imunológico devido à idade e às vezes devido a outras doenças já existentes, estão mais propensos a desenvolverem quadros mais letais da doença, podendo chegar à morte”, disse. Contudo, o médico reforçou também que os números altos não implicam necessariamente idosos desrespeitando o isolamento social e as normas sanitárias. “Não podemos nem dizer que o pessoal mais velho não está tomando os cuidados, porque quando você anda na rua e vê algum idoso, ele está sempre de máscara e sozinho, já o pessoal mais jovem, nem sempre. As pessoas devem ficar conscientes de que pessoas mais idosas possuem um sistema imunológico mais fragilizado, assim como as crianças, ou seja, os cuidados com eles devem ser maiores”, disse. Constant frisa que, acima de tudo, o momento vivido é um momento para se ter empatia e pensar no próximo. “Este é um momento de olhar não somente para você como também para o próximo. Uma atitude mal pensada pode custar a vida de outro. É importante reforçar, se você precisa sair de casa, seja para o que for, tome os devidos cuidados. A doença pode não ser letal para você mas pode ser para outra pessoa que mora ou que faz parte do seu círculo de conhecidos. O uso de máscaras, álcool em gel e o distanciamento social devem sempre ser priorizados”, ressaltou o médico

CUIDADO INTEGRAL

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| Foto: Cortesia à Gazeta de Alagoas

Para o gerontólogo Crismedio Vieira, o triste número de idosos vítimas da Covid-19 só mostra que está faltando cuidado com os mais velhos desde antes da pandemia. “Podemos colocar tudo na palavra cuidado, nisso entra tanto o autocuidado quanto o cuidado geral. O público de maior risco da doença são idosos e estamos em um estado onde mais de 10% da população é idosa, ou seja, necessita de um cuidado integral. Quando falo em cuidado integral me refiro a cuidados psicológicos, físicos, afetivos e familiares”, pontuou. “Essa pandemia mudou a forma que as pessoas estavam acostumadas a viver. Os idosos mudaram de hábitos de forma abrupta, eles precisaram se isolar e se distanciar do que conheciam. Toda essa situação causa incômodo e inquietação, tanto psicológica quanto física, então eles acabam se expondo aos riscos. Uma vez exposto e contaminado o problema se agrava, porque sabemos quão frágeis essas pessoas se tornam com o decorrer do tempo”, relatou. O gerontólogo explica que, como neste momento o ideal é ficar em casa se resguardando e muitos possuem dificuldades nisso, a família tem de entrar como papel fundamental no auxílio, ajudando a ressignificar o dia daquele familiar mais velho. “Há inúmeras maneiras para fazer alguém se sentir útil em casa. A primeira coisa é se perguntar o que ela gosta de fazer e o que dá prazer a ela. Ela gosta de ouvir músicas? De mexer no jardim? Coloca ela para ouvir as músicas que gosta, ajuda ela a plantão algumas flores. Pode chamar também para olhar álbuns de família, que é sempre bom para reavivar a memória. Se ela cansou de ficar em casa chama para uma caminhada tomando os cuidados. O importante é não deixar o idoso só sentado aguardando o tempo passar e se sentindo sem utilidade”.

* Sob supervisão da editoria de Cidades.

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