Cidades
POPULAÇÃOEM SITUAÇÃo DE RUA COBRA POLÍTICAS PÚBLICAS
Dia Nacional de Luta foi marcado por passeata e ações culturais no centro de Maceió
Em Maceió, o Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, foi marcado por uma passeata e por ações culturais, no Centro de Maceió. De acordo com Rafael Machado, coordenador nacional do Movimento da População em situação de Rua (MNPR) no Estado, cobra o cumprimento do Decreto da adesão nacional de políticas públicas para os moradores de rua.
“Estamos na porta do governador para cobrar políticas públicas efetivas para a população em situação de rua porque o governador assinou o Decreto da adesão nacional de políticas públicas para os moradores em situação de rua e já tem dois anos que não cumprem esse decreto. Então violar o decreto da pandemia é crime, e por qual motivo o nosso decreto não é cumprido pelos secretários do Estado? Então estamos gritando na porta do Palácio, na Porta da Secretaria de Direitos Humanos lutando por nossos direitos”, disse.
Rafael revela ainda que existem centros de atendimento e abrigos provisórios especializados para essa população em Maceió, e nas cidades de Arapiraca, Rio Largo e, em algumas cidades turísticas, como Maragogi. “São Centros de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua, em Maceió e alguns no interior. Temos uma casa de passagem, que tem vaga para 60 pessoas, e um abrigo que atende dez famílias e um outro abrigo em Palmeira dos Índios”.
A situação da população em situação de rua, ainda conforme o relato do coordenador do movimento, é de grande de invisibilidade social. Rafael diz ainda que, quase inexistentes, as políticas públicas são poucas para atender toda a população em situação de rua, tendo em vista que a população de rua, em Alagoas, está sofrendo com invisibilidade desde 2007/2008 porque “não tem dados, não tem senso e nem diagnóstico sobre quem é essa população”. Mesmo assim, os moradores em situação de rua enfrentam dificuldades.
No caso de Rafael, particularmente, que foi morar nas ruas aos 12 anos e tem oito anos que saiu das ruas, ele está na coordenação para dar voz e vez a população que é tão vulnerabilizada e marginalizada pela sociedade. “Com relação ao monitoramento, é falta de interesse político do Governo do Estado e, por isso, fizemos a marcha saindo às ruas para gritar mais uma vez que não somos invisíveis”.
Conforme o movimento, a estimativa é de que haja aproximadamente 4.500 pessoas vivendo nessa situação de rua. “Neste período de pandemia, com o índice de desemprego, tem surgido muitas pessoas. Isso tem preocupado o movimento porque são muitas famílias, crianças, adolescentes. O Movimento Nacional População em situação de Rua tem trabalhado mais intensamente durante a pandemia da covid-19 para que essas pessoas tenham, ao menos, a alimentação do dia garantida. E hoje vai realizar várias atividades para chamar atenção da sociedade para esta questão”.
O Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua é uma alusão ao que ficou conhecido como “Massacre da Sé”, quando sete pessoas foram assassinadas com golpes na cabeça enquanto dormiam na região da Praça da Sé, em São Paulo, no ano de 2004.
A Universidade Federal de Alagoas se juntou ao MNPR, que está presente em 18 estados, para pedir apoio de toda a comunidade acadêmica e a sociedade civil. Ontem teve uma programação na Praça dos Martírios, centro de Maceió, numa marcha em direção ao Palácio República dos Palmares. A manifestação seguiu pelas ruas, passando pela Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh), Tribunal de Justiça e Assembleia Legislativa. Ao chegar à Praça Dom Pedro II aconteceu uma apresentação do grupo Teatro e Batuque Gigante Rua. A programação encerra às 13h com oferta de almoço para as pessoas em situação de rua de Maceió.