Cidades
PANDEMIA PROVOCA QUEDA DA PROCURA POR VACINAÇÃO INFANTIl
Secretaria de Saúde de Maceió registra redução da cobertura vacinal de crianças nos últimos meses
O Ministério da Saúde já alertou que o avanço da Covid provocou a redução da procura por vacinas disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A queda na cobertura vacinal é reflexo muitas vezes do receio de famílias, que temem contaminação pelo novo coronavírus fora de casa. O problema é que a redução da taxa de imunização pode aumentar os riscos da volta de doenças que um dia foram erradicadas ou que tinham poucos registros no Brasil.
A Gazeta conversou com a Gerência de Imunizações da Secretaria de Saúde de Maceió que confirmou a redução da procura por vacinas nos postos de saúde, assim como o risco que é o adiamento da imunização de crianças. “Aumenta o risco e a vulnerabilidade de contrair doenças imunopreveníveis por não completar o esquema vacinal e pode perder a oportunidade de garantir proteção de determinadas doenças por faixas etárias limitadas”, informa a Secretaria de Saúde. Dentre as doenças mais perigosas que as crianças podem enfrentar, além da Covid, estão a coqueluche, sarampo, caxumba, varicela, rotavírus, tétano e meningites. A Secretaria de Saúde informou que o Município segue as campanhas definidas pelo Ministério da Saúde. “Houve redução da procura por vacinas na pandemia sim, mas a Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Gerência de Imunização, reforça sempre a importância de manter um calendário vacinal atualizado e que as unidades de saúde estão preparadas para receber os usuários”, informou a SMS. A pediatra Larissa Gouveia explica que a orientação é manter a vacinação, mesmo no período de pandemia, como a que estavam vivendo. “Percebemos que houve queda por causa do medo da exposição ao coronavírus, mas a orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria e do Ministério da Saúde, mesmo no auge da pandemia, é para continuar vacinando. Não deixar de vacinar de jeito nenhum. A gente viu o que aconteceu com o sarampo, que voltou. É um perigo”, declarou a pediatra Larissa Gouveia Aragão. Na semana passada, pesquisa da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) apontou que na avaliação de 73% dos pediatras, as crianças estão deixando de ser vacinadas durante a pandemia de coronavírus. O levantamento, realizado por meio de questionário online, ocorreu entre 20 de julho e 16 de agosto, ouviu 1.525 profissionais, sendo 951 pediatras e 574 ginecologistas e obstetras de todo o País. Segundo o Ministério da Saúde (MS), o Programa Nacional de Imunização (PNI) conta com 37 mil postos públicos de vacinação de rotina em todo o país, subindo para 51 mil durante as campanhas realizadas anualmente.