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CAPITAL E INTERIOR VIVEM MOMENTOS DISTINTOS

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Cinco meses após a confirmação do primeiro óbito por Covid em Alagoas, mais de 90% dos municípios enterraram vítimas da pandemia. O interior concentra quase 70% dos casos da doença e mais da metade das mortes registradas no Estado, além de apresentar taxa de transmissão ainda preocupante. Todos os municípios alagoanos têm casos do novo coronavírus e, até a última quinta-feira (27), apenas seis não tinham mortes provocadas pela Covid: Igaci, Minador do Negrão, Monteirópolis, Olho d´Água do Casado, Pariconha e São Brás. Alagoas se aproxima dos 80 mil infectados e dois mil óbitos. Para o professor Gabriel Bádue, do Observatório Alagoano de Políticas Públicas para o Enfrentamento da Covid-19, vinculado à Faculdade de Nutrição da Ufal, a situação no interior do estado ainda é muito instável. “Em nenhuma região temos uma situação que indique um controle consolidado da transmissão. No entanto, os cenários são bem heterogêneos”, explica. Bádue cita a região de Santana do Ipanema, no Sertão, que apresenta a situação mais grave em se tratando do controle de transmissão, pois registrou nas últimas semanas aumento do número de novos casos e óbitos. “Além disso, Arapiraca ainda apresenta um cenário que exige atenção, apesar da queda no número de novos casos e óbitos observada nas últimas semanas. A alta incidência de casos registrados há algumas semanas, somada a disponibilidade de leitos de UTI para Covid e a importância da cidade na dinâmica socioeconômica regional, podem acarretar no surgimento de novos focos de transmissão”, avalia. A Gazeta pergunta ao professor Bádue se é possível dizer que a transmissão da Covid está desacelerando em Maceió. “Segundo o Subcomitê de Epidemiologia ligado ao Comitê Científico do Consórcio Nordeste, o controle da transmissão é evidenciado em certa localidade quando o Rt (número reprodutivo efetivo, que indica quantas pessoas são contaminadas, em média, por um infectado) é inferior a 1 ao longo de um intervalo de pelo menos quatorze dias e há uma tendência decrescente da casos e óbitos nesse período”, explica. De acordo com ele, considerando que Maceió está desde 6 de agosto com Rt inferior a 1 e registra queda nas notificações de novos casos desde a 32ª semana epidemiológica (02 a 08/08) e óbitos desde a 33ª semana (09 a 15/08), é possível afirmar que a transmissão da Covid está desacelerando na capital neste momento. “No entanto, essa situação não é definitiva. Considerando que ainda temos uma alta proporção da população suscetível ao vírus, o momento exige muita cautela e nos obriga a adoção de todas as medidas de controle sugeridas nos protocolos de segurança, dentre as quais o uso da máscara, higienização das mãos e o distanciamento, que exige a não aglomeração. Essas medidas são essenciais para que a gente mantenha essa tendência de queda, evitando novas ondas de contaminação, como registrada na Espanha nas últimas semanas que levou o governo a adotar novamente medidas mais restritivas”, ressalta.

EM DECLÍNIO

Imagem ilustrativa da imagem CAPITAL E INTERIOR VIVEM MOMENTOS DISTINTOS
| Foto: Cortesia

Em entrevista à Gazeta, a infectologista Sarah Dominique confirma que a transmissão da Covid está desacelerando em Maceió. “A quantidade de casos novos por dia indicou seu declínio na capital, assim como o número de casos internados reduziu numericamente, mantendo taxas de ocupação em leitos de UTI e de enfermaria abaixo de 70% em média”. Em relação ao interior, nas cidades mais afastadas da capital, a pandemia ainda não está sob controle, avalia a infectologista, que é gerente-médica do Hospital de Mulher, unidade referência no tratamento da Covid. “Exatamente, nos interiores ainda há transmissibilidade devido à chegada da Covid-19 após a capital. Capital e interior vivem momentos distintos na pandemia”. Para frear a pandemia em Alagoas Sarah diz que a população deve cooperar com as medidas de uso de máscara, higienização das mãos, distanciamento sempre que possível. “E, para a gestão, continuar o que Alagoas tem feito, já que conseguimos passar pela pandemia de maneira segura com leitos disponíveis e assistência hospitalar”, completa.

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| Foto: Cortesia

Em relação a Maceió, a infectologista Luciana Pacheco, diretora do Hospital Hélvio Auto, avalia que de acordo com os indicadores apresentados, se pode dizer que há desaceleração da transmissão, considerando a redução de número de casos novos, de hospitalização e óbitos em todo o estado. “De qualquer maneira, ter cerca de 400 casos novos diariamente é ainda um número expressivo e mostra que o vírus está presente entre as pessoas”. Sobre o interior, Luciana diz que é preciso cautela quando se fala em transmissão do coronavírus nesses municípios. “Em Arapiraca o número de casos ainda é elevado, no Sertão ainda avança, mas de uma forma mais lenta e bem mais controlada permitindo a organização e a capacitação da rede de atendimento às pessoas”, afirma. A diretora do Hospital Hélvio Auto diz que a pandemia somente será contida com a conscientização. “É preciso o uso constante de máscaras, distanciamento entre as pessoas e higienização das mãos e do ambiente são a forma de evitar a contaminação”.

ARAPIRACA TESTA MAIS, DIZ COORDENADOR

Evandro Melo, coordenador de Monitoramento, Análise e Informação em Saúde da Prefeitura de Arapiraca, afirmou que, em Alagoas, talvez seja difícil encontrar uma cidade que tenha testado tanto a sua população, quanto Arapiraca. “São cerca 14 mil pessoas testadas no município, por isso apresenta a maior taxa de incidência, quando comparada aos outros municípios alagoanos”, afirmou O coordenador ainda explicou que a região que mais testar a sua população se tornará o epicentro. “Epicentro é aquele local que tem a maior taxa de incidência, ou seja, maior número de casos por 100.000 habitantes. A exemplo dos Estados Unidos, que é o epicentro no mundo, justamente por ser o país que mais testa a sua população”, completou. Segundo Evandro, desde março, a prefeitura elaborou plano de contingência para que todo o processo de Vigilância Epidemiológica dos casos e assistência integral ao paciente fosse efetivado de forma responsável e comprometida com o objetivo de evitar casos graves e óbitos. “Ainda implantou a Unidade Sentinela, funcionando 24 horas, e adequou todas as UBS para os atendimentos aos sintomáticos respiratórios e demais pacientes, além dos Centros de Síndrome Gripal. Arapiraca segue avançando no combate ao coronavírus, mas precisamos continuar com as medidas de isolamento, de higiene pessoal e com o uso de máscaras. Arapiraca segue o Plano de Distanciamento Social Controlado e intensifica as ações educativas, de fiscalização e enfrentamento à pandemia, que são realizadas, diariamente, no município”, acrescenta. A reportagem pergunta ao coordenador de Monitoramento, Análise e Informação em Saúde da Prefeitura de Arapiraca, se tem conseguido apoio dos governos federal e do Estado para combater a Covid. “O governo federal tem sido um importante parceiro de Arapiraca no enfrentamento à Covid-19. Recentemente, o município recebeu 15 respiradores, direcionados ao Hospital Regional de Arapiraca. Os investimentos tornarão a saúde de Arapiraca ainda mais equipada para continuar salvando vidas mesmo após a pandemia”, conclui.

SERTÃO ALAGOANO

Para o professor Gabriel Bádue, a medida mais efetiva para interromper a transmissão seria um lockdown nas regiões mais afetadas, como é o caso de alguns municípios da região de Santana do Ipanema, especialmente Pão de Açúcar, Palestina, Olho d’Água das Flores e Monteirópolis que apresentaram alta incidência de novos casos na 34ª semana epidemiológica. “No entanto, considerando que tal estratégia está fora de cogitação, dadas as diversas implicações que a envolve, entendemos que as medidas mais efetivas são: o rígido cumprimento dos protocolos de segurança que envolvem restrição de aglomerações (comércios, igrejas, e outros locais de reunião de pessoas), uso da máscara e higienização das mãos; testagem em massa e/ou outras estratégias com o objetivo de identificar novos casos a fim de rastrear e monitorar a cadeia de contágio evitando a formação de novos focos de transmissão; e estratégias de monitoramento de locais de alta vulnerabilidade, como abrigos, moradores de rua e sistema prisional”, finaliza Bádue. RC

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