Consumo
AUMENTO NO PREÇO DE PRODUTOS ASSUSTA CONSUMIDORES NO ESTADO
Produtos como arroz, feijão e óleo estão entre os itens que ficaram mais caros nos supermercados
O aumento abrupto no preço de vários alimentos está assustando consumidores alagoanos, que já começam a sentir o impacto nas mesas e nas carteiras. Nas redes sociais, o eco do aumento no preço de produtos alimentícios como arroz, feijão e, em contrapartida, a diminuição no valor do auxílio emergencial tem chamado atenção de todos os brasileiros. Nos supermercados de Alagoas, apesar do aumento no quilo do arroz, do feijão e do óleo, os alagoanos não deixaram de comprar, mesmo diante das dificuldades.
Segundo o gerente de um supermercado na parte alta de Maceió, Maciel dos Santos, o aumento no preço de alguns produtos, mesmo que pouco, é uma realidade. “Houve um aumento sim, mas não foi tão alto se comparado, por exemplo, a outros estados brasileiros. O arroz, por exemplo, que é o mais falado por ter tido um aumento grande no preço, você consegue encontrar na faixa dos R$ 4,00 a R$ 5,00 o kg, em comparação aos R$ 3,00 que era há semanas atrás”, contou.
“Houve também variação principalmente no preço do óleo, como estamos acompanhando até mesmo nos noticiários. Mas mesmo com esse aumento, tanto do óleo quanto do arroz, continuamos vendendo normalmente e, claro, com o controle adequado, para que não haja uma situação semelhante aquela em março com o álcool em gel, quando as pessoas compravam de monte com medo do produto aumentar, o que só fazia o produto ficar ainda mais caro”, pontuou.
Segundo Maciel dos Santos, o quilo de arroz mais barato no supermercado está custando R$ 3,89, e o mais caro, R$ 5,98. Já o feijão, dependendo da marca, o quilo pode chegar a R$ 9,00, estando o mais barato na faixa dos R$ 5,00. O óleo, que teve o aumento mais abrupto, foi de R$ 3,00 para R$ 7,49.
De acordo com uma nota divulgada pela Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), o fator que mais impactou no aumento do preço do grão é a pressão no mercado internacional desde o início da pandemia. “Observou-se (desde a declaração de calamidade pública pela OMS em março) um aumento significativo na demanda do mercado externo, o que, somado à restrição de oferta por alguns países exportadores, com vistas a assegurar o abastecimento interno, ocasionou a forte valorização do grão”, diz o texto.
Segundo o economista e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Cícero Péricles de Carvalho, o aumento no preço do óleo, que foi um dos mais acentuados, se deve às exportações de soja para outros países. “A China este ano resolveu reorganizar os estoques frente à pandemia, e como o dólar está alto em comparação ao real, que está desvalorizado, ela preferiu comprar do Brasil. Então, em números, ela comprou, de janeiro a julho deste ano, 50 milhões de toneladas de soja, juntamente a 1 milhão de toneladas de carne. Então, essa venda ao exterior, acaba por afetar diretamente a venda no interior do país, onde o produto fica mais caro”, disse.
“O preço do grão subiu muito no Brasil, assim como o preço da carne, por exemplo, e isso se dá porque eles também estão vendendo para o exterior. Então, a indústria, que esmaga a soja e faz o óleo, está comprando a soja mais cara e, por consequência, o óleo também fica mais caro”, explicou o economista.
O aumento do preço afeta diretamente o bolso de muitas famílias alagoanas, que a cada novo início de mês precisa diminuir o volume da feira mensal, como é o caso de Lenilde Vasconcelos. “É incrível porque a cada mês gastamos mais na feira e chegamos com menos produtos em casa. Não dá para manter uma casa recebendo pouco mais que um salário mínimo, sendo que os produtos estão aumentando todos os meses”, relatou.
A dona de casa ressaltou que costumava comprar óleo por até R$ 3,00 e se surpreendeu quando, na última feira que fez, o produto estava custando quase oito reais, mais que o dobro do habitual. O arroz, segundo ela, também está custando cada vez mais caro, junto ao feijão. “São produtos que não são luxos, são aqueles fundamentais na mesa de qualquer família”, afirmou.
Para Williane Beatriz, que mora sozinha e faz compras semanais, o aumento também foi sentido, mesmo que em menor escala. “Já procuro comprar semanalmente para reduzir gastos e não acabar desperdiçando produtos, mas com esses aumentos a redução está bem pouca. É complicado manter as coisas porque nosso salário não aumenta, mas os produtos sim. E o auxílio emergencial, que seria uma mão na obra, agora vai ser reduzido pela metade”, contou.
* Sob supervisão da editoria de Economia