Cidades
VACINAÇÃO AMPLA SÓ EM 2022, DIZ OMS
A cientista-chefe da Organização Mundial de Saúde (OMS), Soumya Swaminathan, disse ontem que uma vacinação ampla da população mundial contra a Covid-19 só deve ocorrer em 2022. Ela justificou a projeção citando desafios científicos e estruturais envolvidos na produção dos imunizantes.
No primeiro ponto, Soumya lembrou que os resultados dos testes de fase 3 só começarão a ser divulgados no fim deste ano e no início de 2021. “Então, será preciso passar pelo processo de avaliação e licenciamento”, disse. Ensaio clínico da vacina de Oxford já havia sido interrompido antes, diz secretário de Saúde do Reino Unido Nove grandes farmacêuticas se comprometem a respeitar protocolos para desenvolver vacina contra Covid-19 Além disso, ela apontou que esta é a primeira vez que o mundo precisará de bilhões de doses de uma vacina, e por isso as estruturas de produção precisam ser reforçadas ou expandidas. “Esse tipo de capacidade não existe em nenhuma empresa”, afirmou a cientista-chefe da OMS. “Estamos olhando para meados de 2021, em um cenário otimista, para que um número limitado de doses chegue aos países”, comentou, acrescentando que elas devem ser primeiro distribuídas para grupos de risco.
BALA DE PRATA
Para Soumya, muitas pessoas têm visto a vacina como uma “bala de prata”, que “vai chegar em janeiro e que vai acabar com todos os problemas do mundo”. “Os países e as pessoas precisam reconhecer que as primeiras doses da vacina que ficarão disponíveis devem priorizar as pessoas que têm mais altos riscos de infecção”, declarou, citando como exemplo os profissionais da saúde e trabalhadores das áreas essenciais. “É muito importante que as pessoas saibam que, quando as vacinas vierem, elas levarão tempo para serem aplicadas em toda a população. (...) Isso vai demorar. Certamente até 2022, para ver essa mudança acontecer, nós teremos que ser disciplinados” — Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS
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SEGURANÇA DA VACINA
Ainda nesta quarta-feira (9), a OMS afirmou em nota que está satisfeita em ver os desenvolvedores da vacina de Oxford-AstraZeneca se certificando de que os ensaios clínicos têm integridade científica. Os testes dessa vacina foram suspensos na terça-feira porque um dos participantes foi diagnosticado com uma reação adversa que pode estar ligada ao imunizante. Em nota, a OMS afirmou: “A segurança é o principal foco dos ensaios clínicos para se encontrar uma vacina. Quando um participante tem uma doença potencialmente inexplicada, que pode ou não estar ligada à vacina em teste, a prática rigorosa é investigar. Suspensões temporárias de ensaios clínicos de vacinas não são incomuns quando há uma avaliação”. A organização disse em nota estar satisfeita “em ver os desenvolvedores da vacina se certificando que há integridade científica dos ensaios clínicos ao observar os protocolos padrões e as regras para desenvolvimento de vacinas”.