Cidades
TRANS EXPULSA DE SHOPPING ALIMENTA MORADORES DE RUA
O Projeto “Lanna Hellen unidos pela fé”, que leva o nome de sua fundadora, uma mulher transgênero, conhecida após ser expulsa do Shopping Pátio Maceió, em janeiro deste ano, alimenta grupos de moradores de rua pela capital. Com o episódio, Lanna conseguiu chamar a atenção para os necessitados e, desde então, mostra bastidores, faz campanhas de arrecadação e presta contas para os doadores em suas redes sociais.
Natural do estado de São Paulo, Lanna Hellen mora em Maceió há cerca de um ano, e teve seu primeiro contato com os moradores de rua maceioenses antes do caso que a fez ficar conhecida, quando entregou algumas marmitas caseiras por conta própria. À Gazetaweb, ela falou sobre o momento: “Eles me perguntaram quando eu iria voltar, mas eu não sabia, eu não tinha um projeto, nem uma visão de como eu poderia ajudar”.
A oportunidade de tornar o projeto realidade veio após a cena pública de desrespeito, quando a transgênero conseguiu, aos poucos, mobilizar algumas das pessoas que chegaram até as suas redes sociais para que se tornassem doadoras e, assim, manter a frequência no auxílio aos necessitados.
As entregas, que acontecem duas vezes por semana, às terças e quintas, com o auxílio de um carro de aplicativo, também financiado pelos doadores, foram iniciadas com 120 marmitas semanais e, hoje, já são 240 no mesmo período.
Para o futuro, Lanna espera conseguir construir uma sede de apoio para alimentação de pessoas em situação de rua, equipada com uma cozinha industrial, e educação para crianças. Uma vakinha virtual para arrecadar o valor necessário, R$ 60 mil reais, está disponível.
O projeto não tem fins lucrativos e nem conta com nenhum apoio governamental. O contato para doações de alimentos ou valores para as compras é feito a partir do perfil pessoal da fundadora no Instagram, onde, também, acontece a prestação de contas pelos valores recebidos.
Relembre o caso
Lanna Hellen foi impedida de utilizar o banheiro feminino do Pátio Shopping Maceió, localizado no bairro do Benedito Bentes, em 3 de janeiro deste ano, quando outra cliente acionou os seguranças afirmando que estaria se sentindo desconfortável com a presença da transgênero. O shopping negou que ela tenha sido impedida e classificou a ação dos seguranças como padrão para casos de distúrbios. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o momento em que a transgênero faz um discurso de repúdio e é retirada de cima da mesa e arrastada pelos corredores do Shopping. Em um dos vídeos, é possível escutar um dos seguranças afirmando que a jovem é “macho”. “Minha filha, primeiro não é ela. É um macho! É um homem! É macho!”, disse. Segundo relato da vítima e de testemunhas, a cliente que denunciou disse que a trans era um homem e que ficou sem poder utilizar o banheiro feminino porque se sentiu “desconfortável”. Depois de expulsa do banheiro pelos seguranças do shopping, a trans começou a falar alto e chegou a subir em uma das mesas na praça de alimentação. Pedindo ajuda da polícia, ela subiu na mesa exigindo seus direitos, mas foi retirada à força do local.
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* Sob supervisão da editoria de Cidades.