Cidades
ESCOLAS AMARGAM PREJUÍZOS E DÚVIDAS SOBRE RETORNO
Os meses sem funcionamento presencial das escolas, em especial as da rede privada, provocou muitas incertezas no segmento. Dívidas e dúvidas pairam entre os proprietários, professores e pais de alunos, já que todos temem o presente, mas principalmente como será o futuro das empresas. As de pequeno porte, espalhadas pelos bairros da capital e interior, sofrem ainda mais porque, com pouco capital de giro, não tinham reserva suficiente para suportar por tanto tempo a inadimplência, encerramento de contratos e até demissões de professores.
A professora e proprietária Mayara Freitas conhece bem essa realidade. Assim como os demais, sente na pele e no bolso o quanto a pandemia e o isolamento social afetaram sua realidade de trabalho e dos professores de sua equipe. Uma das queixas maiores é que, em nenhum momento, houve por parte do governo do Estado um olhar diferenciando para a situação peculiar que vivem.
"Fomos, sem sombra de dúvidas, as mais afetadas. Nenhum órgão público olhou pra nós enquanto empresa fechada. Não fomos vistos pelas autoridades como empresários que dependem de receber para pagar aos funcionários. Nossos professores tiveram que se adaptar a essa nova modalidade de ensino, muitos não se dão bem com as câmeras, cada escola adaptou a sua realidade. A todo instante estão exigindo de nós, temos documentos a preparar, temos que cumprir leis de carga horária, tivemos que dar desconto nas mensalidades, mas nossas contas continuaram as mesmas. Ninguém nos deu desconto de nada. Impostos continuam chegando, e temos que pagar", relatou Mayara.
Ela lembra ainda que toda essa situação também é cercada de medo também. Conforme contou, a preocupação vai além das questões financeiras, porque o mesmo medo que tomou conta da sociedade, dos pais e estudantes está presente entre os profissionais. Há uma dúvida também em relação à reabertura, este ano, provavelmente por apenas dois meses presenciais.
"Sabemos sim, caso voltemos, quais são todas as medidas necessárias a serem tomadas. Mas na verdade é que fomos deixados de lado. E tememos muito pela volta. Tememos o que fazer com os inadimplentes, tememos uma volta do surto do vírus. Temos muitos professores de grupo de risco, que estão sim exaustos de estarem em casa, mas estão também com medo de sair e adoecer", completou Mayara.
Sindicato
O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de Alagoas informou que a entidade tem acompanhado a evolução dos decretos governamentais que apontam para a reabertura das escolas. A presidente da entidade, Bárbara Heliodora, lembrou que isso deve ocorrer quando o Estado avançar para a fase verde do isolamento social.
"Será quando o Estado passar para a fase verde. Contudo, já estamos com nosso protocolo de funcionamento pronto para ser entregue ao Gabinete Civil. Isso foi o que ficou definido numa reunião como o secretário Fábio Farias e as escolas. Assim sendo, as escolas estão antecipando as medidas para receber os alunos observando os protocolos de biossegurança e os que já existem e vem sendo divulgados", destacou Bárbara.
Para ela, há uma consciência do setor de que o retorno não dever ser de imediato e ocorrerá de forma escalonada, por etapas. O momento é de preparação e estudo, já que somente na última sexta-feira foi que o Ministério da Saúde emitiu um documento com o protocolo para o setor da educação.
"Todos esses instrumentos normativos técnicos estão sendo estudados para que a rede particular de ensino construa sua proposta para a retomada. As escolas têm autonomia e conhecimento para esse retorno".