Cidades
ESPECIALISTAS DEFENDEM MANTER CUIDADOS
Na última quarta-feira (23), ao anunciar as novas medidas de distanciamento social e avançar os municípios do interior de Alagoas para a Fase Azul do Distanciamento Social Controlado, o Governo do Estado informou que a situação do coronavírus em Alagoas está sob controle, usando como parâmetro a diminuição na ocupação de leitos de UTIs, que chega a 34% no estado. Apesar da diminuição na ocupação de leitos em Alagoas, o que se encontra nas praias, comércio e ruas alagoanas são aglomerações de pessoas, mostrando que o número de casos pode voltar a subir.
Segundo o infectologista Marcelo Constant, o número de ocupação diminuir não significa que as coisas se normalizaram e que os cuidados devam ser ignorados. “Não penso que as coisas estão normais e que devemos relaxar por essa diminuição. Pelo contrário, é agora que os cuidados devem ser redobrados e se possível evitar aglomerações. Se quando estávamos no pico da pandemia as pessoas já aglomeravam, se você disser que está tudo normal eles vão continuar fazendo”, disse.
“O que de fato estamos observando quando assistimos e procuramos informações a respeito da pandemia no Brasil é que diversos estados que estavam em normalidade voltaram a apresentar crescimento no número de casos devido a relaxamentos. Claro, isso pode ser em consequência do aumento de testagens, mas não podemos desconsiderar que o contágio caso as pessoas se descuidem é uma realidade. É prematuro falar sobre relaxamento ou sobre fim de pandemia”, explicou o médico. O infectologista destacou ainda que, o importante é não achar que a pandemia acabou e que podemos agir como vivíamos antes dela. Ele frisou que, além dos cuidados pessoais, as fiscalizações por parte do governo do Estado deveriam redobradas. Outro ponto levantado pelo especialista é a respeito da dificuldade de testagem por parte da população que mora em regiões mais afastadas e não consegue a devida atenção, acabando por não procurar centrais de triagem, gerando uma subnotificação que passa uma falsa ideia de pandemia estabilizada. Constant ainda ponderou sobre a volta às aulas presenciais, assunto que também foi levantado pelo governador Renan Filho durante o pronunciamento. Para o governador, o retorno deve ser feito primeiro pelos adultos do ensino superior, cursos profissionalizantes e cursinhos pré-vestibulares, uma vez que, em teoria, sabem se cuidar e conseguiriam evitar a transmissão do vírus com mais facilidade. Contudo, segundo o infectologista, uma vez que não existe vacina até o momento, o retorno é um erro. “Já esperamos até aqui, não custa segurar até o próximo ano. É sim prejudicial, mas é melhor que um aumento no número de casos.”
PNEUMOLOGISTA
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O pneumologista Tadeu Lopes compartilha a mesma apreensão do infectologista e diz que os cuidados devem se manter independentemente de diminuição dos casos. “A pandemia não acabou, então os cuidados precisam continuar. Ainda temos casos de internamento, os hospitais continuam recebendo pacientes contaminados pelo vírus. Máscara, cuidado ao lavar as mãos, uso de álcool em gel, distanciamento, tudo isso deve continuar sendo feito e com cautela por todos”, destacou. O médico explicou também que as sequelas da Covid-19 podem ser graves e permanecerem durante a vida toda, por isso é necessário o cuidado. “Temos alguns pacientes em ambulatórios que ficam com algumas sequelas, como fibroses pulmonares. Pacientes com asma, que tem enfisema ou outras doenças no pulmão acabam tendo piora clínica depois da Covid e as vezes não conseguem voltar ao estado que estavam antes da doença. Normalmente aqueles que têm comprometimento de 50% a 75% acabam tendo sequelas. Por isso é bom lembrar, sequelas existem e são severas, ou seja, não pode haver descuido por parte da população”, afirmou Lopes.