Cidades
Com�rcio sobrevive de aposentadoria de idosos
A falta de chuvas que impõe sequidão ao horizonte sertanejo e traz como conseqüência o declínio da produção de feijão, milho, leite e carne, por exemplo, também impõe grande prejuízo à atividade comercial dos municípios do semi-árido alagoano. Sem renda, o pequeno produtor vive situação humilhante: a perda absoluta do crédito. ?É arriscado vender a quem não terá como pagar?, confessa o empresário César Vital, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Santana do Ipanema. A seca que impõe restrições de crédito a quem não tem produção acaba transformando em reis os milhares de sertanejos que recebem a minguada aposentadoria de um ou dois salários mínimos pagos pela Previdência Social. É o dinheiro dessa gente que sustenta, por exemplo, o comércio de cidades como São José da Tapera, Carneiros e Senador Rui Palmeira. Juntos, os três municípios concentram três mil aposentados que recebem seus trocados na agência do Banco do Brasil (BB) no centro de São José da Tapera. ?Chova ou faça sol, eles têm dinheiro certo nos 10 primeiros dias de cada mês?, diz um comerciante de São José da Tapera. ?Em tempos de seca, os aposentados e funcionários públicos de municípios que pagam em dia são as únicas personagens com direito a comprar fiado para pagar no final do mês?, afirma o empresário César Vital, segundo o qual a estiagem impõe queda de mais de 40% em alguns dos setores do comércio de Santana do Ipanema. ?Quem comercializa produtos agropecuários na região está em absoluta crise?, explica. A seca que impõe o fechamento de pequenas empresas também obriga o fechamento das portas de quem vende produtos considerados supérfluos, como os de vestimenta e cosméticos. O setor de alimentação também enfrenta grave crise e também sobrevive graças à injeção na economia da região dos recursos do programa Fome Zero. ?Em tempo de seca, pelo menos 15% dos clientes deixam de honrar seus débitos no comércio do município?, revela o presidente da CDL de Santana. Muitos desses comerciantes nunca vão receber o dinheiro devido por uma razão muito simples: pouco se utiliza cartão de crédito e quem não tem cheque deixa como garantia apenas a palavra.