Cidades
Medo impede v�tima de les�o�corporal de denunciar agress�o
O medo de represália, ou seja, de nova agressão, é o maior obstáculo à punição da violência contra a mulher. Embora 40 mulheres procurem diariamente a Delegacia da Mulher, em Maceió, menos da metade formaliza a denúncia para que o agressor seja processado criminalmente. Poucas têm coragem para assinar o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), primeiro passo para a abertura de inquérito policial. Os dados foram revelados pela advogada Juliana Pedrosa, uma das coordenadoras do Centro de Apoio às Vítimas de Crime (CAV Crime), da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc). Segundo ela, a falta de proteção do Estado obriga a vítima a permanecer ao lado do agressor que, assim, se beneficia da impunidade e do medo de sua vítima. Essas mulheres têm entre 19 e 29 anos de idade, em média dois filhos e são economicamente dependentes de seus agressores. Passeata Fatos como esses foram discutidos ontem, Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher, marcado por vários eventos, entre eles uma passeata organizada pelo CAV Crime, que reuniu, inclusive, as vítimas da violência. A manifestação seguiu da Central da Cidadania, no calçadão do Comércio, em direção à Praça Floriano Peixoto, onde algumas lideranças fizeram discursos condenando a violência em todas as suas formas, mas principalmente aquela praticada contra a mulher. ?Procurar a delegacia não significa que a mulher vai denunciar o agressor. A maioria teme fazer a denúncia e ter que voltar pra casa, já que o Estado não lhe oferece proteção eficiente?, afirma Juliana Pedrosa. Ela disse que o CAV Crime (telefone 315-1770 e 315-1772) oferece assistência jurídica e psicológica, ajudando as vítimas de violência a recuperar a auto-estima.