Cidades
Munic�pio cobra verbas retidas pelo Estado
FÁTIMA VASCONCELLOS A secretária municipal de Saúde, Jacy Quintela, afirmou, ontem, numa reunião com dirigentes de hospitais e laboratórios de Maceió, que o governo do Estado, por meio da Secretaria de Saúde do Estado, vem retendo, mensalmente, R$ 1,2 milhão, que ? segundo ela ? deveriam ser investidos especificamente para pagamento das internações e atendimentos ambulatoriais ligados ao Sistema Único de Saúde no município de Maceió. A secretária afirmou que a falta de repasse desses recursos à Secretaria de Saúde de Maceió tem contribuído para o agravamento da crise dos hospitais. Ela observou que essa situação perdura há mais de um ano. Segundo Jacy, o problema já foi levado ao conhecimento do governador Ronaldo Lessa, na presença do secretário Álvaro Machado, de outras autoridades estaduais e, inclusive, de parlamentares da bancada federal. ?Infelizmente, ainda não surgiu a solução esperada, como o cumprimento de um acordo pelo qual a Secretaria de Saúde do Estado repassaria R$ 350 mil nestes três últimos meses do ano e R$ 650 mil a partir de janeiro. Em virtude disto, estamos nessa crise, com o débito de três meses pelos atendimentos extra-teto prestados à população pela Santa Casa, que levou a instituição a suspender parte dos serviços ao SUS?. De acordo com a secretária Jacy, a questão da Santa Casa é apenas um exemplo da gravidade do problema. O presidente do Sindicato dos Hospitais e provedor da Santa Casa, Humberto Gomes de Melo, reforçou a observação, lembrando que tudo isso vem sendo motivo de comunicados em documentos oficiais. Medida suspensa A mesma reunião serviu para o entendimento entre a secretária de Saúde de Maceió e os dirigentes da Santa Casa, assegurando a retomada das internações seletivas aos pacientes do SUS, ontem mesmo. Também na aceitação pelos hospitais de sua proposta de corte linear de 15% este mês em relação ao teto financeiro e conseqüente reposição até 8 de dezembro, além de novas discussões nos próximos dias visando outras alternativas contra a crise na saúde pública. Quebradeira Por sua vez, o diretor- clínico da Santa Casa, Gilvan Dourado, disse, antes da reunião, que ?é doloroso para a direção do hospital suspender o atendimento eletivo, mas não restou outra alternativa. Ou fazemos isto ou o hospital fecha suas portas. É quebradeira na certa. Se a população continuar sendo atendida, há custos para o hospital sem perspectiva de pagamento?, alegou. Segundo o médico, o teto para o serviço de alta complexidade é de R$ 630 mil/mês, mas o custo total dos procedimentos é de R$ 818, em média. Então, todo mês fica um saldo negativo. ?Se o município recebesse o dinheiro a que tem direito, o débito não existiria. É uma questão de vontade política. O governador deve entender que é preciso fazer uma distribuição justa dos recursos?, alertou Gilvan Dourado, lembrando que a Santa Casa já arca com o prejuízo no atendimento ambulatorial, onde todo mês o custo dos procedimentos ultrapassa o teto sem que a diferença seja paga.