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ONG: programas sociais excluem crian�as catadoras

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FÁTIMA ALMEIDA Uma pesquisa feita pelo Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu, ONG que atua na organização dos catadores de lixo, revela que a maioria (60%) das crianças alagoanas que atua nessa atividade é filho de mãe solteira e pelo menos 64% são totalmente excluídos de qualquer benefício social dos governos federal, estadual ou municipal. A pesquisa foi apresentada, ontem, durante o I Encontro Estadual de Catadores de Lixo, reunindo profissionais de vários municípios, inclusive Maceió. De acordo com Fernando Hita, que apresentou a pesquisa, ela foi feita em 16 municípios do interior, abrangendo 208 crianças que atuam catando latinhas, papelão, plásticos e até comida. Ela revela que, pelo menos, 16% dessas crianças procuram no lixo, não objetos para vender e ajudar no orçamento doméstico, mas o alimento da família. 80% delas têm pais sem nenhuma escolaridade e a renda média familiar é de R$ 190,00. Apesar desse perfil, ONG e catadores comemoram avanços. Segundo Severino Junior, presidente da Associação de Catadores de Natal e membro do Movimento Nacional de Catadores, o reconhecimento da atividade como profissão autônoma é uma dessas conquistas, sobretudo em sua relação com a Previdência, mas o maior bem, segundo ele, é o respeito que a categoria começa a conquistar. ?A gente já é ouvido, discute problemas com a Prefeitura, participa de reuniões e isso é muito bom na construção da nossa cidadania?, diz. Eles querem mais: tecnologia acessível, coleta seletiva, inclusão social e projetos com os catadores. Ele passou para os colegas alagoanos a experiência que já vivem os catadores de Natal, de organização em cooperativas para entrar na nova fase de aterro sanitário. Lá eles estão se articulando para comprar uma prensa industrial para que os catadores cooperados tenham uma renda fixa. O Encontro Estadual definiu dois representantes para o Encontro Nacional da categoria, marcado para o próximo ano, em Brasília.

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