Cidades
Impactos socioambientais da medida preocupam governo
Preocupado com os impactos socioambientais que a redução da vazão na barragem de Sobradinho poderá causar, principalmente, em relação à região do Baixo São Francisco, o secretário Anivaldo Miranda exigiu que a diminuição da vazão tenha a duração mínima possível e, neste sentido, sugeriu que a diretoria do Comitê do São Francisco, a ANA e a ONS possam reavaliar passo a passo o andamento da situação. O presidente da ANA, Jerson Kelmann, assegurou que a Chesf, que opera a Barragem de Sobradinho, terá o cuidado de informar aos principais tomadores de água da diminuição da vazão, calculando que a medida deverá vigorar no máximo até janeiro ou fevereiro do próximo ano. No final da reunião, Anivaldo reivindicou da ANA que haja futuramente uma clara quantificação dos impactos e prejuízos a serem causados por diminuições preventivas de vazão, para que, no balanço do custo-benefício, os principais tomadores de decisão possam decidir-se pela alternativa das termelétricas ao invés de penalizar ainda mais as populações a jusante de Sobradinho. Miranda esclarece que não há riscos de racionamento de energia no Nordeste e que a medida adotada pela Chef é preventiva em relaçào ao acionamento do sistema de minitermelétricas. O Rio São Francisco percorre cinco estados, formando uma bacia de 640 mil quilômetros quadrados. Ele beneficia 446 municípios que se abastecem da sua água, pois é o único que a fornece em todo o semi-árido do Nordeste. Com nascente na Serra da Canastra, em Minas Gerais, e foz na divisa de Alagoas e Sergipe, o ?Velho Chico?, como é conhecido, é o maior rio situado inteiramente em território brasileiro. Seu principal trecho navegável tem 1.300 quilômetros e liga as cidades de Pirapora (MG) e Juazeiro (BA). Há pelo menos dez anos, o rio despejava no oceano Atlântico, em média, 3.000 metros cúbicos (por segundo) de água doce.