Cidades
Promotor defende parceria permanente contra exclus�o
O Ministério Público Estadual está pronto a participar e contribuir com todas as iniciativas destinadas a minimizar o drama de centenas de menores relegados diante da inexistência quase total de políticas públicas de assistência social a eles destinadas. Mas teme que a questão de meninos e meninas de rua, submetidos, até pelos próprios pais, à violência do abandono e da exploração seja apenas mote para discurso daqueles que querem se ver livres do problema. Tanto que, diante da ação que será executada na próxima semana pelo conjunto de órgãos públicos e entidades privadas que participaram da reunião no Hotel Lagoa da Anta, o promotor da Infância e da Juventude, Ubirajara Ramos, reage com preocupação. ?Me preocupa ações repentinas. Pela experiência que temos é possível dizer que o trabalho feito de forma açodada não resolve?- afirmou o promotor. Na avaliação dele, os resultados só serão possíveis se a parceria for permanente e cada um se empenhar efetivamente para atingir o objetivo de reinserir os menores de rua nas suas famílias. Para Ubirajara Ramos, a solução para a mendicância e o abandono infanto-juvenil exige, entre outras ações, apoio à família do menor. Sem reinclusão familiar e acompanhamento, acrescenta o promotor, qualquer trabalho se torna apenas ação pontual e de solução temporária. O quadro de abandono infantil-juvenil em Maceió é mais grave porque para a capital convergem centenas de famílias interioranas que, vivendo em situação de miséria, não encontram em seus municípios, as políticas públicas que lhes garantam a sobrevivência com um mínimo de dignidade. Segundo o promotor Ubirajara Ramos as crianças e jovens que são de Maceió já estão cadastradas por entidades como a Funacriad e instituições como a Universidade Federal de Alagoas (Ufal). A necessidade agora é de recursos para que os projetos elaborados saiam do papel para transformar-se em realidade. Por isso, o promotor da Infância e da Juventude cobra das prefeituras e do governo do Estado mais investimentos nas áreas sociais. ?Os órgãos de assistência social e os conselhos tutelares precisam de mais verbas para desenvolver seus projetos. Muito do que tem sido feito esbarra na falta de recursos?- declarou ele. Além disso, são necessárias políticas de recuperação da auto-estima e de tratamento de desintoxicação para menores com dependência química. ?Na verdade o que esses meninos precisam é que seus pais tenham emprego e possam, assim, sobreviver como cidadãos? - completou Ubirajara Ramos.