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Moradores: cinco anos com falta d’�gua no Vergel

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FATIMA ALMEIDA Lata d?água na cabeça, carrocinhas puxadas por burros, cheias de botijões de água, vendendo de porta em porta, mulheres lavando roupas na água barrenta de alguma cacimba improvisada. Parecem cenas de um povoado do tórrido sertão nordestino, mas fazem parte do cotidiano dos moradores do Conjunto Joaquim Leão, no Vergel do Lago, em Maceió. Há cerca de cinco anos tem sido assim: água na torneira só pela madrugada, mas apenas o suficiente para encher alguns baldes para tomar banho e fazer a limpeza da casa, segundo denunciam os moradores. Há cerca de cinco meses a comerciária Solange Amaro da Silva morava de aluguel na Mangabeiras. Vibrou quando encontrou o anúncio de uma casa na quadra 17, nº 89, no Joaquim Leão, bem à altura das economias que juntara durante anos. Comprou e mudou-se. Não demorou muito a perceber que estava com um grande problema: todas as vezes que chegava do trabalho encontrava as torneiras vazias e nem um pingo de água no reservatório. Achou que o problema estava na bomba. Investiu R$ 400 em uma nova, mas o problema continuou. Logo ela entendeu por que sempre acordava na madrugada com a sensação de que ?havia uma feira no meio da rua?. Eram os vizinhos recolhendo água das torneiras. ?Ao invés de descansar do trabalho, passei a dormir pouco para também esperar a água. O pior é que não tem hora para chegar?, comenta. É por isso que a doméstica Maria José dos Santos Lima se diz estressada, magra e doente. ?Não durmo direito há anos. Durante o dia tem os afazeres domésticos e à noite fico esperando a água chegar. Troquei as noites de sono por cochilos no sofá?, reclama. Os prejuízos não são apenas físicos. Para receber água pela madrugada, cada morador tem que ter uma bomba em casa, e com isso a conta média de energia elétrica fica em torno de R$ 80,00, valor alto para a população de baixa renda. Além disso, eles têm que comprar a água de beber e, vez por outra, botijões para passar o dia, ao preço médio de R$ 3,00. Para lavar roupa, o morador do Joaquim Leão tem que pagar alguém de outro bairro, ou se deslocar com a trouxa na cabeça para a casa de algum parente. Maria José de Lima leva a trouxa, de ônibus, para a casa da mãe, na Massagueira. Favelização A situação nem sempre foi assim, segundo Denise Alves de Lima, que mora no local há 18 anos. No começo a água chegava até as caixas d?água. Ela acha que o abastecimento foi prejudicado com o crescimento do bairro e a agregação da área de favela na beira da lagoa. Denise revela que apesar de não pagar nenhuma taxa, como pagam os moradores do conjunto, o pessoal da favela não tem problemas de abastecimento e faz até pontos de captação, com escavações ou canos abertos, de onde recolhem água para vender no bairro. O pior é que os próprio moradores do Joaquim Leão estão aderindo a esse sistema. Cavam o chão, abrem o cano e recolhem água para o consumo diário. Ao redor do buraco, com baldes de todos os tamanhos, homens, mulheres e crianças providenciam o abastecimento de casa, lembrando a Maceió de 188 anos atrás. Há poucos dias a Casal fechou um cano. Ontem os moradores reabriram. ?Senão ninguém cozinha nem toma banho?, justifica uma moradora.

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