Cidades
Especialista aponta adutora para solucionar estiagem
O Canal do Sertão é um projeto para beneficiar latifundiários, grandes proprietários e políticos que se sustentam do poder público. A crítica é do professor Aldo Rebouças, da Universidade de São Paulo (USP), que está em Maceió participando do Fórum Estadual Água e Desenvolvimento da Bacia do Rio São Francisco em Alagoas, realizado pelo governo do Estado. Mas ele deixa claro que não é contra a obra. Sua crítica tem como razão a certeza de que o pequeno agricultor e os demais habitantes do semi-árido continuarão excluídos. Para o professor Rebouças, pernambucano radicado em São Paulo há quase três décadas, a construção de novas adutoras distributivas é a alternativa para levar água às populações castigadas pela estiagem. ?Distributivas são as adutoras que têm pontos de captação ao longo de sua extensão. Desta forma é possível distribuir água de forma mais democrática, garantindo o acesso do pequeno produtor?, avalia. Segundo ele, geólogo de formação e especialista em recursos hídricos, adutora, cisternas e poços artesianos são meios de resolver também um outro grave problema do semi-árido nordestino: a evaporação. O professor Aldo Rebouças afirma que a evaporação é um outro grande obstáculo às iniciativas que visam levar água aos municípios atingidos pela estiagem. A evaporação provoca imensa perda de água, por isso as novas tecnologias estão voltadas para obras que eliminem ou reduzam o desperdício. O Fórum estadual é realizado pela Secretaria Executiva de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Naturais e o Fórum de Defesa Ambiental de Alagoas, com apoio do Fundo para o Meio Ambiente Mundial, Instituto Eco-Engenho, Agência Nacional de Águas e Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). O secretário Anivaldo Miranda revela que o objetivo é a discussão com todas as entidades ambientais e a sociedade civil sobre o Plano de Ações Estratégicas Articulado para a Bacia do São Francisco.