Cidades
TJ homenageia escritor que alertou sobre a fome
BLEINE OLIVEIRA O Tribunal de Justiça (TJ) de Alagoas presta, hoje, homenagem a um dos primeiros brasileiros a alertar o País e o mundo sobre o flagelo da fome. Autor das obras Geografia e Geopolítica da Fome, que é fonte de pesquisa em escolas da França e do Canadá, o escritor e embaixador Josué de Castro receberá a Medalha de Honra ao Mérito Judiciário. Falecido em 1973, aos 64 anos, o escritor será representado pela filha, a socióloga e professora Anna Maria de Castro. Ontem, em entrevista à GAZETA DE ALAGOAS, ela manifestou alegria pela homenagem que o Judiciário alagoano presta ?a um brasileiro que tentou mostrar a triste causa do subdesenvolvimento, da pobreza e da miséria?. Publicada em 1946, a mais conhecida obra de Josué de Castro continua atual. Especialmente agora que o poder público adota medidas para minimizar a fome da população. Embora ressalte que a solução está em políticas de educação, saúde e na geração de emprego e renda, a socióloga Anna Maria Castro definiu como positivas ações como o Programa Fome Zero e distribuição de recursos públicos por meio de projetos como bolsa-escola e bolsa-alimentação. Reação ?É preciso fazer mais. Afinal, a fome não é um fenômeno natural. É criado e cada vez menos pode ser escondido?, disse ela, citando a frase do escritor Josué de Castro, que diz: ?Denunciei a fome como um flagelo fabricado pelos homens contra outros homens?. Para Anna Maria, a sociedade brasileira precisa tomar consciência de que o combate à fome é uma prioridade. ?Não podemos continuar esperando, temos que agir diante de tanta desigualdade?, afirma. A socióloga faz um retrato da realidade brasileira e mundial, no qual os pobres não dormem porque não comem, enquanto os ricos se fartam de comer, mas não dormem temendo a reação dos que não comem. Afinal, acrescenta Anna Maria, a carência alimentar e nutricional provoca duas reações bem distintas. Uma é a apatia, a outra é a agressividade. Autoritarismo Natural de Pernambuco, o médico Josué de Castro era embaixador do Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU) quando teve seus direitos políticos cassados pela ditadura militar. Inconformado com o autoritarismo e a força do arbítrio, exilou-se na França, onde criou o Centro Internacional de Desenvolvimento e lecionou a disciplina Geografia Humana, na Universidade de Paris. Sua trajetória já foi mostrada no filme Josué de Castro ? Cidadão do Mundo, do cineasta Sílvio Tendler, em teses de conclusão de cursos universitários e várias publicações, inclusive de sua filha, Anna Castro. Outra homenagem será prestada pela Fundação Banco do Brasil que escolheu o escritor para tema do projeto Memórias, em 2004. A sessão solene em que o Tribunal de Justiça de Alagoas vai homenageá-lo, graças à iniciativa da desembargadora Elizabeth Nascimento, está marcada para as 15 horas, no salão do pleno do TJ, no Centro.