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Estudo avalia aplica��o da ergonomia nos lares

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FÁTIMA ALMEIDA Os perigos estão espalhados por toda parte, na maioria dos lares brasileiros. A tomada instalada em altura baixa, as mesas e outros móveis com quinas vivas, recipientes de vidro que guardam biscoitos e outros atrativos da degustação infantil, grades com espaçamento inadequado... Implantados pelos próprios inquilinos da casa, eles integram-se ao cotidiano doméstico, anos após anos, às vezes sem a menor percepção das pessoas sobre o risco que representam. Até que um dia, um acidente grave faz o alerta tardio: poderia ter sido evitado. Segundo o engenheiro civil Daniel Marques, pós graduado em engenharia do trabalho, a falta de observação à ergonomia no lar provoca, todos os dias, mais acidentes do que se imagina. As estatísticas estão, principalmente, nos hospitais públicos, onde as crianças figuram como as vítimas mais freqüentes. Mas os adultos, principalmente as pessoas idosas, também são expostas, cotidianamente ao risco de acidentes domésticos. Na opinião do engenheiro, os perigos existentes dentro de casa são tantos ou em maior quantidade que os enfrentados nas ruas. ?Os pais se preocupam muito (e com razão), com a hora que o filho vai voltar para casa, com quem está, como atravessar a rua, enfim, com a violência externa, quando os perigos estão dentro de casa?, diz ele. Esses perigos, que não constam nas estatísticas de violência, são queimaduras graves com panelas ou incêndios domésticos, choques elétricos por causa de fiação mal conservada, intoxicação por medicamentos, inseticida ou produtos de limpeza, lesão por impacto com móveis e até asfixia ou fraturas por imprensões em grades, entre outras ocorrências domésticas que, em alguns casos, chegam a provocar a morte das vítimas. ?Recentemente uma criança de Salvador quase morre sufocada com a cabeça presa entre as hastes de uma cadeira?, exemplifica Daniel Marques. Na sua opinião, as pessoas não estão preparadas para observar esses detalhes. ?É uma questão cultural do brasileiro. Equipamentos de segurança doméstica não fazem parte dos utilitários da casa?, diz ele. Além disso, diz Daniel, por uma questão de orçamento, pouca gente investe dinheiro em projetos de ergonomia do lar.

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